1º turma de Supervisores Rurais é formada pelo Programa Jovem Aprendiz Rural

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Foram dez meses, vivenciando na prática, o que só conheciam dos livros, numa fazenda de verdade. Mais preparados e cheios de expectativas em um futuro de sucesso como profissionais do agro, 68 jovens estudantes da região do Rosário concluíram nesta quinta-feira (20) o Programa Jovem Aprendiz Rural, uma iniciativa da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e o Sistema Faeb/Senar/Sindicatos, com o apoio de prefeitos e vereadores dos municípios de Correntina, na Bahia, Posse e Guarani, em Goiás.

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Os jovens, na faixa entre 18 e 23 anos, foram contratados no período com carteira assinada (CLT), previdência social, auxílio financeiro e transporte, em um primeiro passo para o mundo do trabalho que espera encontrar, neste grupo, supervisores agrícolas com conhecimento e competência para dar conta de suprir uma demanda cada vez maior por profissionais bem formados.

“Esse programa foi uma imensa oportunidade para nos abrir as portas para o mercado de trabalho, e, a mente, para a realidade do agro. Tivemos contato com instrutores de diversas áreas, com produtores rurais e colaboradores das fazendas que disponibilizaram tempo para contribuir com nosso aprendizado e formação profissional”, disse a formanda Renata Costa, acrescentando: “evoluímos durante o processo e hoje saímos melhores do que entramos”. Sua colega de curso, Renata Fernandes de Souza, exibindo com orgulho a Declaração de Conclusão de Curso sentenciou: “Estamos preparados para ingressar no mundo do trabalho.

Demanda antiga

O programa Jovem Aprendiz Rural do Rosário foi a resposta da Abapa e dos parceiros a uma demanda antiga dos produtores do Rosário, encabeçada, principalmente, por três mulheres agricultoras de forte liderança local, Lisiane Lunardi, Suzane Mari Piana e Patrícia Morinaga. Segundo elas, era preciso tanto encontrar uma solução para que os produtores rurais cumprissem a Lei de Aprendizagem (Lei nº 10.097/2000), que determina que todas as empresas de médio e grande porte contratem um número de jovens aprendizes, equivalente a um mínimo de 5% e um máximo de 15%, do seu quadro de funcionários. E, além disso, suprir uma demanda por profissionais qualificados na região. Mas as exigências da lei, nas condições logísticas locais, considerada a distância entre as fazendas e os centros urbanos, tornavam a tarefa muito difícil.

Assim, foi criado o curso, composto de 800 horas-aula, sendo 400 horas práticas e 400 teóricas, estas últimas, cumpridas em três fazendas estrategicamente localizadas na microrregião: Xanxerê, Serrana/Cia Seeds e Morinaga. Ao todo, 19 empresas agrícolas de produtores se engajaram ao projeto.

“Foi difícil formatar esta solução e, ainda mais desafiador, colocá-la em prática. A Agricultura tem prosperado, e não é exagero dizer que ela é a locomotiva do desenvolvimento nacional, marcada pela eficiência, pelas altas produtividades e pela sustentabilidade. Quando investimos em formação profissional, criamos um efeito positivo e multiplicador nos sistemas agrícolas e no setor como um todo, através dos ganhos em eficiência”, afirmou o presidente da Abapa, Luiz Carlos Bergamaschi. Ele disse, ainda, que este efeito é ainda mais perceptível no desenvolvimento de localidades regionais, como é o caso da que compreende o distrito do Rosário, além de Posse e Guarani, em Goiás.

A solenidade virtual teve a presença, dentre diversos membros do Sistema S, como o presidente do Senar Bahia, Humberto Miranda. Ele reforçou em sua fala o efeito transformador de vidas que a educação proporciona. “Conhecimento dá poder às pessoas. Poder de enxergar o mundo com outros olhos, de tomar decisões e abrir oportunidades de escolha. Por isso, somos sempre otimistas quando formamos uma nova turma, e esta foi a primeira de muitas deste programa”, afirmou Miranda.

Embora nem todos os formandos tenham garantia de contratação, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras, pediu aos jovens que não desistam no primeiro obstáculo. “O Oeste da Bahia é muito grande e diversificado em suas culturas agrícolas. São 2,5 milhões de hectares cultivados e para isso é preciso gente bem treinada. Adentrem esta região, abram suas perspectivas porque há uma infinidade de possibilidades aqui. A vice-presidente da Faeb, Carminha Gato Missio, destacou o grande ativo que é o saber. “Não existe um patrimônio maior que possa ser legado a um jovem que o conhecimento. E quando aplicado no cotidiano, ele é capaz de mudar o mundo”, finalizou.

Fonte: Abapa