Adubação: Confira como é importante fazer de forma correta

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O Brasil, em escala mundial, é um dos maiores produtores agrícolas e a sua potencialidade para crescer é enorme: apenas 7,6% do território nacional (664.784 km2) são utilizados, atualmente para produção agrícola, como confirma dados publicados pelo IBGE (2018). Por isso, nosso país deve ter, cada vez mais, um papel fundamental na função de alimentar a população mundial crescente seguindo, ainda assim, conceitos de competitividade e sustentabilidade.

Neste cenário de busca crescente por aumento da produtividade, faz-se necessário o uso correto e consciente de fertilizantes, fator esse fundamental para alcançar o objetivo proposto. Uma agricultura ecoeficiente deve ter como preocupação primordial a correta aplicação, qualitativa e quantitativa dos fertilizantes em função do trinômio: tipo de cultivo, características do solo e clima. Segundo ALGARTE et al (1991) a contribuição dos fertilizantes no aumento da produtividade, incluindo os corretivos, é da ordem de 30 a 60% quando aplicados de forma correta.

A agricultura mundial, hoje, faz o uso de adubos químicos ou minerais na maior parte de suas regiões cultivadas. Uma mudança rápida de hábitos, considerando-se que, há 50 anos era dada maior importância a adubos orgânicos como estercos, tortas e rejeitos da própria agricultura, não excluindo sua importância na produção, já que é economicamente viável em alguns casos (Malavolta, 1981).

Para se obter uma produção viável economicamente é necessário que os nutrientes no solo atendam os requisitos de concentração, permitindo com que as plantas absorvam o que necessitam na sua zona de alcance da raiz. É chamado de “nível crítico” o valor quantitativo de um nutriente no solo que seja necessário para se obter a produção máxima de eficiência econômica, considerando que os fatores interferentes na cultura e demais nutrientes estejam em quantidade adequada (Pereira, 1998).

Gráfico de níveis de um nutriente no solo e seu nível crítico. Disponível em: https://www.solumlab.com.br/analise-de-solo/

Para que os nutrientes estejam devidamente disponíveis às plantas, são necessárias as realizações de práticas corretivas como a calagem, gessagem e fosfatagem, de acordo com os resultados da análise de solo. Com elas, a eficiência dos fertilizantes aplicados é aumentada, garantindo economia para o produtor no momento da compra e da aplicação dos adubos.

Uma vez atendidos os requisitos, a dosagem de um fertilizante na lavoura deve ser feita levando em conta os teores no solo (ou na planta, no caso de adubos foliares) e a garantia do fertilizante a ser utilizado, bem como o seu preço, a sua disponibilidade e o seu impacto no meio-ambiente (Malavolta, 1981).

Como meio de exemplificar esta situação podemos utilizar um exemplo relacionado à adubação feita para a cultura da soja. Para cada tonelada produzida, a soja retira 20 kg de potássio. Se um agricultor, por exemplo, produz quatro toneladas de soja, estará retirando 80 kg de potássio do solo. Se na adubação ele não fornecer, no mínimo, essa quantidade e o solo não tiver quantidades excedentes, ao longo do tempo, ele estará empobrecendo o seu solo (CASTRO, 2019). 

Como implica a Lei do Mínimo, ou Lei de Liebig, a produção é limitada pelo nutriente em menor nível no solo, e a menor aplicação deste elemento proporcionará um aumento grande na produção, que irá se decair conforme aumentam as doses, como prega a Lei dos Acréscimos Decrescentes, por isso a importância de se manter o nível de todos os nutrientes em um valor adequado, de médio a alto, aumentando a eficiência dos sistemas de produção (Casarin, 2013).

Para fazer um correto uso dos fertilizantes, existe um manejo conhecido como 4C’s, que implica em algumas medidas para o seu uso eficiente. A Fonte Certa é o primeiro “C”, implicando que se deve escolher o nutriente correto para cada momento e aplicação, considerando sua necessidade no solo e no ciclo da cultura. A Dose Certa visa fornecer a quantidade certa do nutriente, considerando perdas, evitando fornecer a mais, causando perdas econômicas, ou a menos, diminuindo a produção (Casarin, 2013).

A Hora Certa implica no melhor aproveitamento daquele nutriente pela cultura, seja no momento do plantio, nos primeiros estágios de desenvolvimento ou no período reprodutivo. Por fim, temos o Local Certo, que visa aplicar o nutriente onde eles são necessários e em locais onde a cultura possa absorvê-los eficientemente (Casarin, 2013).

Portanto, tem-se que a adubação consciente é indiscutivelmente importante para aumentar a eficiência da produção no campo. Para isso, necessita-se de um conjunto de ações voltadas a novas tecnologias, tanto em relação ao desenvolvimento de novos produtos e tecnologias quando desenvolvimento genético das plantas, visando-se um maior potencial produtivo. Com a melhoria da produção, é possível gerar mais alimentos para o mundo, servindo de apoio para resolver problemas sociais em vários locais do mundo, isso tudo se embasando em critérios ambientais, visto que fertilizantes provém fontes finitas de recursos e o seu uso deve ser cauteloso. Como explanado pelo Professor Godofredo César Vitti “Uma das missões de nós, Engenheiros Agrônomos, é contribuir para o combate da fome no mundo (…), e quando você diminui a fome, você melhora a condição de vida intelectual e você leva progresso.”

Original de agromove