Algodão: País pode ser o maior fornecedor global até 2030

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Presidente da Abrapa diz que setor vem conquistando mercados e trabalha para melhorar imagem com qualidade, rastreabilidade, tecnologia e sustentabilidade.

Após forte impacto da pandemia de Covid-19 sobre a demanda e as cotações internacionais, o panorama atual é de aquecimento do mercado mundial de algodão.

Os pacotes de resgate e a retomada da atividade econômica em diversos países deram novo fôlego à cotonicultura e devemos aproveitar o bom momento para construirmos e consolidarmos a credibilidade da fibra produzida no Brasil.

No ano passado, preços abaixo do custo de produção levaram à redução da área plantada no mundo todo. Segundo balanço de oferta e demanda do International Cotton Advisory Committee (ICAC), as perspectivas para a temporada 2020/21 são de recuo de 7% na produção mundial de algodão, totalizando 24,31 milhões de toneladas.

O consumo global, em contrapartida, deve crescer 9% e chegar a 24,81 milhões de toneladas – ainda abaixo dos 26 milhões registrados antes da pandemia. O cenário representa uma janela de oportunidade para o Brasil. Em função do aumento da produção brasileira de algodão, nossas exportações têm batido recorde atrás de recorde.

O mês de maio entrou para a história da cotonicultura brasileira com 115.243 toneladas embarcadas, 66% acima do volume registrado em maio do ano passado.  Até este mês (julho), quando termina a atual temporada de exportações, as vendas externas devem chegar a 2,35 milhões de toneladas.

Como quarto maior produtor e segundo maior exportador mundial da fibra, o Brasil já abastece 100% do mercado nacional e 20% da indústria têxtil mundial. Mas queremos e podemos mais. Temos quantidade, qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade e precisamos mostrar isso ao mundo.

Pesquisa realizada junto à indústria asiática mostrou que, na hipótese de preços iguais para a pluma americana e brasileira, 75% comprariam algodão produzido nos Estados Unidos. A realidade é simples: a imagem do Brasil ainda está aquém do algodão que produzimos.

A percepção equivocada se traduz em números. Na média, a cotação do algodão brasileiro no mercado asiático é de 400 a 450 pontos abaixo do produto americano, o que significa que estamos deixando de ganhar R$ 1 bilhão por ano. Para conquistar a confiança do mercado e aumentar nossa rentabilidade, temos que mostrar quem somos, o que pensamos e aquilo que fazemos.

Fonte: Embrapa

Esse é o objetivo da Cotton Brazil Harvest 2021 Roundtable, rodada de encontros virtuais com os principais compradores de algodão do mundo, que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) promoveu durante todo o mês de junho.

A agenda faz parte do projeto Cotton Brazil, uma parceria do setor produtivo com o governo brasileiro e as tradings, e inclui reuniões com potenciais clientes de Bangladesh, Turquia, Paquistão, Coréia do Sul, Vietnã, Indonésia e Índia.

“Para conquistar a confiança do mercado e aumentar nossa rentabilidade, temos que mostrar quem somos, o que pensamos e aquilo que fazemos” Júlio Cézar Busato

Na China, o painel sobre a safra brasileira integra a programação presencial da 2021 China International Cotton Conference, em Suzhou. O gigante asiático lidera o ranking de compradores do algodão brasileiro.

Com a importação de 23,7 mil toneladas em maio, o total embarcado para a China na atual temporada superou as 700 mil toneladas da pluma, 22% acima do registrado no período anterior. Os chineses já superam, inclusive, o consumo médio das indústrias têxteis brasileiras.

Para mantermos esse ritmo, estamos fortalecendo nossas parcerias com entidades que representam o setor têxtil chinês, que importa anualmente mais de 2 milhões de toneladas de pluma de algodão.

Em menos de 60 dias, firmamos convênios com a China Cotton Association (CCA) e a China National Cotton Exchange (CNCE), que movimenta 80% do algodão consumido naquele país, o equivalente a 7 milhões de toneladas.

As oportunidades são imensas. Nos últimos quatro anos, dobramos nossa produção e pretendemos fazer isso de novo.

Com claras vantagens em relação aos principais concorrentes em termos de oportunidade de expansão de áreas, clima favorável, água e tecnologia de produção, o Brasil tem plenas condições de se tornar o maior fornecedor mundial de algodão até 2030, reconhecido globalmente pela qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e padrão tecnológico do seu produto.

Original de Globo Rural

Fonte: Xpoents Insights