As conquistas da mulher no Agronegócio

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Não é de hoje que percebe-se o empoderamento do sexo feminino no mercado de trabalho, em diversas profissões e áreas de atuação. A partir do final do século XX, começou a luta das mulheres por um espaço maior na sociedade, não apenas como coadjuvante, como era comum nos tempos passados.

Ao longo dos últimos anos, as mulheres conquistaram direitos e batalharam por igualdade de oportunidades entre os sexos, tanto em ocupações na família, quanto no mundo em geral.

O agronegócio, principalmente a agropecuária, é conhecido tradicionalmente pela baixa participação feminina. Entretanto, nos últimos anos essa situação tem mudado bastante. Entre 2004 e 2015 houve um aumento de 8,3% no total de  mulheres trabalhando no agronegócio, setor que abrange quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária primária, agroindústria (processamento) e agrosserviços (CEPEA, 2018).

Os estudos mostram que a mulher do agro busca, cada vez mais, melhorar sua qualificação profissional, por meio de cursos, palestras e troca de informações com profissionais do mesmo setor. O fato de que o aumento da participação feminina foi marcado por trabalhadoras com um maior nível de educação formal sugere uma evolução associada a empregos que demandam maior competência e conhecimentos técnicos. O avanço de tecnologia e as mudanças na forma de gestão do agronegócio fizeram com que mais mulheres se interessassem pelo trabalho no setor.

Além disso, a crescente utilização de softwares para controle de dados das fazendas resultou na necessidade de pessoas com mais habilidades e competências para atuar neste ramo, com o objetivo de analisar as informações dos sistemas, identificar problemas e propor soluções em busca de uma maior produtividade e rentabilidade do negócio.

Diferença salarial entre homens e mulheres no agro

Mesmo com aumento da participação e do conjunto de atributos apresentado pelas mulheres, notou-se uma diferença salarial entre o sexo feminino e o masculino. Da mesma forma como no mercado de trabalho em geral, no setor do agronegócio as mulheres possuem uma média salarial menor do que os homens, aproximadamente 26% de distinção (CEPEA, 2018).

Segundo o Censo Agropecuário de 2017 (IBGE), o número total de estabelecimentos agropecuários apurado foi de 5.073.324 e, dentre esses, 19% dos produtores, ou seja, aproximadamente 1 milhão, são do sexo feminino. Nos dados abaixo, disponibilizados pela Associação Brasileira do Agronegócio em 2017, podemos observar um resumo do perfil das mulheres brasileiras no agronegócio.

Fonte: Connectere

Protagonismo da mulher no campo

Um exemplo desse empoderamento e do protagonismo feminino no campo é a produtora Luisa Comin, uma das usuárias do sistema +Gestão. Em 2012, Luisa teve que assumir a gestão da propriedade rural, localizada no Rio Grande do Sul, quando o pai adoeceu, mesmo não tendo uma preparação para a sucessão rural. Hoje em dia, ela administra a fazenda que possui cerca de 300 hectares, onde cultiva-se trigo, aveia e soja.

A produtora é formada em Administração de Empresas e possui pós-graduação de Gestão de Negócios, porém, em relação ao agronegócio, foi necessário aprender rapidamente as tarefas antes realizadas pelo pai, como cuidar das negociações com fornecedores e clientes, acompanhar o processo de manejo e fazer toda gestão da fazenda.  Por meio do sistema de gestão, utilizado desde 2018, ela consegue acompanhar o andamento da fazenda, mesmo quando precisa se ausentar para atuar nas suas outras ocupações.

Luisa fala que, para se posicionar no agronegócio, ou em qualquer profissão, é importante ter um propósito.

“Quando se tem um propósito maior, se ama o que se faz, qualquer desafio torna-se um degrau para evoluir e ser um profissional e uma pessoa cada vez melhor. O agro possibilita ter o propósito de gerar alimentos e gerar a vida. O desafio de ser mulher no campo existe, mas o propósito maior em paralelo aos obstáculos faz com que tudo seja possível”

Referências:

https://www.cepea.esalq.usp.br/br/releases/cepea-participacao-de-mulheres-no-agro-cresce-68-se-mostram-satisfeitas-com-o-emprego.aspx

https://agrosmart.com.br/blog/a-importancia-do-empoderamento-feminino-para-o-agronegocio/

http://www.abag.com.br/media/files/sumario-pesquisa-mulheres-do-agro-2017-compressed.pdf

Por Larissa Kabke. Engenheira de Produção formada pela Universidade Federal de Pelotas. Moro em Pelotas e atuo como Analista de Negócios na Connectere desde abril de 2019.

Fonte: Blog Connectere