Bezerros: Confira quais são as doenças que mais tem incidência na fase de cria

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Os profissionais da pecuária sabem da importância dos cuidados com a criação de bezerros pois nesse período da vida do animal pode haver maior incidência de doenças por causa da baixa imunidade. Por isso, é extremamente necessário que os cuidados com a saúde e com a alimentação sejam realizados corretamente.

Os bezerros recém-nascidos ou aqueles que não adquiriram ou que possuem uma imunidade muito frágil são mais propensos a doenças. Tendo em vista que nos bezerros que se encontra o futuro do rebanho quando estes são destinados à reprodução, bem como o lucro do criador, quando eles são vendidos para corte ou recria. Por isso, é importante que o produtor tenha conhecimento das principais doenças que acometem os animais nessa fase.

Diarreia 

A diarreia é a doença mais recorrente em bezerros jovens e traz prejuízos ao produtor. Possui uma alta taxa de mortalidade e, portanto, um grande impacto econômico. O produtor deve lançar mão de gastos com medicamentos e serviços veterinários, além de enfrentar uma queda no desempenho produtivo e interferência da doença em toda vida produtiva do animal.

A diarreia ocasiona grande perda de líquidos e eletrólitos corporais, causando desidratação e podendo evoluir para um choque hipovolêmico e até a morte por falência circulatória. Dizemos que os animais apresentam diarreia quando as fezes eliminadas apresentam consistência liquida e a frequência de eliminação aumentada.

A diarreia pode ser subdividida em:

  • Colibacilose ou curso branco, quando provocada pela Escherichia coli.
  • Salmonelose ou paratifo, quando provocada por bactérias do gênero Salmonelia spp.

A profilaxia é feita através de vacinação da mãe no final da gestação. Outras maneiras para evitar a diarreia em bezerros são ações simples como:

  • Higiene e limpeza do ambiente que são fundamentais para reduzir a presença de contaminação;
  • Fornecer colostro de qualidade na quantidade e no tempo adequado;
  • Ambiente sem umidade excessiva, para não contribuir com a transmissão da doença;
  • Instalações adequadas com proteção de sol e chuvas;
  • Não manter convívio de bezerros de diferentes idades em um mesmo local e evitar a superlotação de bezerros.

Pneumonia 

A pneumonia é uma inflamação dos bronquíolos que se manifesta clinicamente por uma frequência respiratória aumentada, diminuição do apetite ou inapetência, febre, lacrimejamento, tristeza e abatimento, tosse e anormalidade na auscultação dos sons respiratórios, a descarga nasal pode ou não estar presente. A pneumonia é uma doença desencadeada por inúmeros fatores como mudanças no ambiente, manejo, dieta onde há desequilíbrio do sistema imunológico, predispondo a entrada dos agentes infecciosos, pode ser classificada em infecciosa, metastática, traumática, por corpos estranhos e parasitária.

Para prevenção da pneumonia em bezerros, deve-se fornecer o colostro adequadamente, associado à correta cura do umbigo, condições higiênicas devem ser ideais para o rebanho; deve-se evitar fatores de risco e estressantes, como manipulação desnecessária; promover controle estratégico de verminoses; investir na qualificação da mão de obra; instalações adequadas para manejo e abrigo; fornecer alimentação palatável e balanceada ao rebanho; evitar formação de poeira, evitar condições estressantes no transporte, cuidado nas alterações de manejo e isolar animais doentes o quanto antes, para diminuir a disseminação no rebanho. Também existem vacinas que agem contra os principais agentes causadores de pneumonia.

Onfaloflebite 

É a inflamação do “cordão umbilical”, causada por contaminação após o nascimento do bezerro. A sintomatologia clínica é caracterizada por um aumento de volume no umbigo, com a presença de exsudato, que pode estar ou não exteriorizado, pode ocorrer dor abdominal. A evolução da onfaloflebite pode provocar hepatite, peritonite ou abcesso hepático, devido à ligação que existe entre o sistema porta e o umbigo do recém-nascido. Por metástase pode causar pneumonia e, por solução de continuidade, favorecer o aparecimento de miíase (bicheira). Deve-se fazer diagnóstico diferencial com hérnia umbilical, a qual desaparece sob pressão e apresenta o anel herniario.

A profilaxia é feita através de assistência ao parto, não permitindo que a parição da vaca ocorra em locais sujos e procedendo os cuidados com o umbigo do bezerro recém-nascido.

Carbúnculo sintomático 

Conhecido como peste-de-manqueira ou maqueira. É causado pela bactéria Clostridium chauvoei e transmitida pelos esporos da bactéria que estão presentes no solo, na água, nos alimentos contaminados e em lesões cutâneas. Essa enfermidade infecciosa ataca principalmente animais jovens (6 meses a 2 anos de idade).

Clinicamente, caracteriza-se por perda de apetite, tremedeira, pulso rápido, respiração difícil, apatia e febre, além da manqueira, inchação crepitante dos músculos, tumores no pescoço, paletas, peito, flancos e interior da boca apresenta coloração escura.

Para o controle da doença, os bezerros devem ser vacinados com quatro meses de idade e revacinados aos nove ou dez meses, por via subcutânea, com vacinas polivalentes. Depois disso, deve-se vaciná-los a cada ano.

Fonte: Freepik

Verminoses

As gastroenterites verminóticas de ruminantes são causadas por nematódeos e pode-se dizer que essa enfermidade está presente em praticamente em todas propriedades de bovinos do mundo. O controle de parasitos em bovinos é um importante fator na produção, uma vez que os parasitos causam grandes perdas econômicas devido à queda de produtividade e transmissão de patógenos, podendo ocasionar morte em animais.

Os principais sinais clínicos são abdômen distendido, diarreia, mucosas pálidas (esbranquiçadas), emagrecimento, pelo arrepiado e sem brilho.

Os efeitos dos nematódeos sobre os bovinos dependem da espécie e do grau de infecção, o qual, por sua vez, depende de diversos fatores, tais como as condições climáticas, solo, vegetação, tipo de exploração, raça, idade do animal e o tipo de pastagem.

Esses parasitos podem causar mortalidade, mas esse não é o principal problema causado pelas verminoses, é possível dizer que a mortalidade por causa de parasitos é muito baixa. Na verdade, o maior prejuízo para pecuária de corte está na redução do desempenho dos animais e perdas com menor ganho de peso.

O controle das infestações por nematódeos gastrointestinais se baseia no uso de anti-helmínticos de amplo espectro.

Tratamentos estratégicos são decididos pelo veterinário responsável por um programa de controle, baseados em diversos fatores:

  • Modificações climáticas em anos atípicos, levando a alterações da dinâmica das populações de vida livre nas pastagens, o que pode adiantar ou atrasar o início das vermifugações.
  • Aquisição de animais novos para a propriedade: é importante tratar com pelo menos dois grupos de antihelmínticos, evitando o insucesso do tratamento caso haja resistência da população a um dos grupos.
  • Vacas no parto. Fazendo parte do controle estratégico, é muito importante que tanto vacas quanto novilhas sejam vermifugadas ao parto, pois é a época em que elas eliminarão mais ovos nas pastagens. Neste caso, essa medida tem um efeito significativo e indireto nos bezerros, pois as vacas produzem mais leite e contaminam menos as pastagens

Anaplasmose 

Anaplasmose ou tristeza parasitária bovina é uma doença dos ruminantes, causada por uma bactéria, do gênero Anaplasma. Esse organismo contamina as hemácias e é transmitida naturalmente por espécies de carrapatos. Pode ocorrer em qualquer idade, mas animais com baixa resistência como os bezerros nos primeiros meses de vida, correm maior risco de adquirir a doença. Por ainda não terem o sistema imunológico completo, os bezerros tornam-se mais vulneráveis à tristeza parasitária bovina.

Entre os principais sintomas da doença estão febre alta, emagrecimento repentino, apatia, pelos arrepiados, ausência de ruminação entre outros. Pode ser diagnosticada com base em sinais clínicos ou exames laboratoriais.

A transmissão ocorre através da saliva do carrapato (Boophilus microphilus), quando se fixa no bovino para se alimentar. Os perigos mais graves ocorrem em áreas marginais, onde a população de carrapatos é altamente variável, dependendo das condições climáticas.

O controle é feito através de manejo adequado, onde os animais tenham acesso a piquetes carrapateados desde jovens, uma vez que a erradicação do carrapato em nosso meio não é viável. Pulverizações quando a população de carrapatos está muito elevada também é uma medida de controle. Por isso, é fundamental conseguir um equilíbrio entre o hospedeiro (bovino) e o parasito (carrapato).

Babesiose 

A babesiose ou piroplasmose é uma doença causada por protozoários do gênero Babesia. O principal agente transmissor da babesiose, no Brasil, é o carrapato Boophilus microplus. A ocorrência de babesiose é mais comum em animais de raça europeia do que no gado zebu. Isto se deve provavelmente à diferença de susceptibilidade ao carrapato vetor.

A babesiose bovina é de grande importância econômica, tanto devido às perdas diretas quanto à restrição de movimentação dos animais, em consequência de quarentenas obrigatórias. Os perigos mais graves ocorrem em áreas marginais, onde a população de carrapatos é altamente variável, dependendo das condições climáticas.

Nas estações em que a população de carrapatos decresce, a infecção pode desaparecer e a pré-imunidade ser perdida. Em infecções naturais, o período de incubação é de duas a três semanas. Infecções subclínicas ocorrem muito comumente, sobretudo em bovinos jovens.

Os principais sintomas clínicos são febre alta, falta de apetite, fraqueza, paralisação da ruminação, orelhas caídas, queda na produção de leite, frequência cardíaca e respiratória acelerada e anemia.

O tratamento deve ser realizado com antibióticos específicos que agem na defesa do animal contra os protozoários causadores da doença. Outra fase importante do tratamento é a recuperação do animal. Posteriormente à aplicação das doses indicadas pelo veterinário, recomenda-se a aplicação de fármacos específicos para sobrecarga hepática, causada pelo excesso de hemoglobina a ser metabolizada. Também é indicado o uso de complexos e suplementos vitamínicos, a critério do veterinário.

A anaplasmose e a babesiose possuem sintomas muito semelhantes, por isso geralmente há necessidade de se fazer um esfregaço de sangue periférico do animal doente. Como muitas vezes, esta operação é difícil, recomenda-se tratar o animal contra as duas doenças conjuntamente. 

Original de Agromove

Fonte: erural