Como exportar seu Café? Confira algumas dicas

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Desde a década de 1830 o café é um dos principais produtos da economia brasileira. O país é o maior produtor e exportador mundial do produto, e também um dos maiores consumidores. Seu parque cafeeiro está concentrado principalmente em Minas Gerais. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), o Brasil exportou 33 milhões de sacas do produto no último ano (na safra de julho de 2016 a junho de 2017), à frente de Vietnã e Colômbia, segundo e terceiro colocados na lista, respectivamente.

Os maiores importadores do café brasileiro são, segundo o Cecafé, Estados Unidos e Alemanha, seguidos por Itália e Japão. O mercado americano, aliás, é o maior consumidor mundial do produto, e quase todo o café que é consumido no país provém de importação, visto que, segundo a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o país produz apenas 5% de sua demanda.

Recomendações em relação à exportação de café

Os produtores que desejam vender para o exterior precisam, além de ter controle da produção e da quantidade que consegue exportar, ter conhecimento sobre o país para o qual pretende exportar. Os americanos, por exemplo, preferem consumir o café fresco de torrefação recente em detrimento do café torrado importado. Assim, segundo a ApexBrasil, somente 11% do café importado pelos EUA é torrado.

A importância das certificações 

Além disso, cada vez mais são exigidas certificações, registros e laudos de origem e qualidade para a exportação dos produtos agrícolas em geral. Cabe ao produtor estudar as exigências de cada país destinatário. Vários países já exigem informações sobre a origem e todo processo produtivo, desde a semeadura até colheita e pós-colheita, visando tanto à sustentabilidade como à qualidade do produto.

Este atual cenário mundial é conhecido como a Terceira Onda do Café, quando o consumo do café ocorre também devido à qualidade associada ao prazer na degustação da bebida e a história da produção, ou seja, vende-se café e, junto com ele, história.

Por: Grão Gourmet

É cada vez maior a busca por café orgânico (sem uso de agrotóxicos) e biodinâmico (cultivado em ambiente sustentável). O produtor que deseja atender a esses mercados deve obter as certificações internacionais pertinentes antes de começar a fazer exportação de café.

O Brasil sempre se posicionou no mercado cafeeiro de forma competitiva, mais pelo imenso volume e pelo baixo custo de produção do que pela qualidade. Por isso, a aposta na certificação pode ajudar muito na hora da venda, mas, além disso, também é preciso estar atento às questões relacionadas à qualidade do produto, pois este também é um fator determinante para atingir os níveis de exportação.

Oportunidades ao exportar café

Outra saída encontrada pelos produtores para não sofrer com as oscilações do preço das commodities é a criação de produto final, de marca própria, destinado a consumidores de luxo: os chamados café gourmet e também os cafés especiais. Apesar de ser um setor menor, o mercado de café gourmet vem se expandindo e se mostrando uma alternativa muito rentável aos produtores, visto que o produto final pode ser vendido por um preço muito superior aos grãos verdes, uma vez que, neste mercado, não é a demanda global que determina o preço, mas sim a qualidade do produto que oferecido.

Uma das formas pela qual os produtores buscam comprovar a qualidade do produto final, além das certificações, é a participação em prêmios nacionais e internacionais dedicados ao café.

Para identificar oportunidades de negócio fora do país, tanto para quem já está neste mercado quanto para quem deseja fazer parte, é importante a participação em feiras e eventos internacionais, pois esta prática ajuda a conhecer importadores e coloca o produtor em contato com outros com os quais é possível aprender técnicas que podem ser úteis em seu processo, além de obter conhecimento quanto às tendências mundiais referente a maquinário e tecnologia, bem como antecipar futuras exigências dos mercados internacionais em relação à exportação de café.

Por: Raphael Dumont