Conheça a ferrugem asiática na soja e 6 dicas para combatê-la

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A ferrugem asiática da soja é uma doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e ela se desenvolve em qualquer estádio da cultura.

Ao contrário de outras culturas, na soja esse fungo provoca a aparição de esporo mais claro, tornando mais difícil a identificação no início da doença.

Os sintomas começam com pequenos pontos, com coloração mais escura que o tecido sadio, variando de verde a cinza.

O formato das lesões podem ser de formato irregular e delimitadas pelos vasos da folha.

Progredindo até as lesões adquirirem uma coloração castanha a marrom.

Essa doença prejudica a formação e o enchimento das vagens, a qualidade e a quantidade dos grãos, interferindo na produção da sua lavoura de soja.

A fim de auxiliar o produtor para se proteger deste fungo, apresentamos a seguir 6 dicas.

Vazio sanitário 

O vazio sanitário é caracterizado pelo período de 60 a 90 dias sem plantio de soja ou plantas voluntárias no campo.

Neste período sem a soja no campo diminui a sobrevivência do fungo já que este só sobrevivem em hospedeiros vivos.

O objetivo do vazio sanitário é diminuir o número de esporos do fungo causador da ferrugem e atrasar a ocorrência da doença na safra.

Calendarização da semeadura

A primeira recomendação é semear a soja no início da época recomendada.

Dessa forma, a calendarização da semeadura é a definição de uma data limite para semear a soja na safra.

Se esta for feita tardiamente, a cultura de soja pode receber inóculo nos seus estádios iniciais de desenvolvimento da planta, desenvolvendo a doença mais cedo e aumentando a necessidade de mais aplicações de fungicidas.

O objetivo desta prática é reduzir o número de aplicações de fungicidas diminuindo assim a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas.  

Monitoramento da sua cultura e de focos da ferrugem asiática na região

É importante para o produtor monitorar sua lavoura para assim definir o momento ideal do controle.

Primeiro monitore se na parte superior das folhas há pontos escuros.

Depois com uma lupa observe a parte inferior (face abaxial) das folhas procurando a presença de saliências (urédias). Quando as urédias liberam os esporos, as mesmas ficam com aspecto de “vulcão”. 

Quanto antes o produtor perceber que sua lavoura está doente mais cedo poderá controlá-la e sofrerá menos perdas devido a doença.

Para ajudar no diagnóstico da doença pode-se procurar uma ajuda clínica fitopatológica ou um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Controle químico

O controle através de fungicidas pode ser usado de maneira preventiva ou no aparecimento de sintomas, desse modo, se torna importante o monitoramento de sua lavoura.

Alguns fungicidas apresentam uma redução da eficiência como carboxamidas, triazóis e estrobilurina isolada, o que mostra a importância de tomar medidas preventivas para diminuir a pressão da utilização de fungicidas.

As medidas são: uso de fungicidas com diferentes modos de ação, reduzir as excessivas aplicações de fungicidas e calendarização da semeadura, como explicado anteriormente.  

Cultivares resistentes ou mais tolerantes

Já existem no mercado algumas cultivares tolerantes e pesquisas por empresas ou instituições de pesquisa por cultivares resistentes.

A Embrapa e a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa lançaram em fevereiro de 2018 a variedade BRS 511 visando retardar o avanço da ferrugem na soja, por exemplo.

Integração de vários métodos para manejo

Quando o assunto se trata de doenças da soja, o manejo que vem à cabeça do produtor é o controle químico.

Este é um tipo de controle importante, porém os outros tipos de estratégias comentados neste artigo também podem ser utilizados. Dessa forma, a sexta dica é a utilização de mais de uma forma de controle.

A utilização do maior número de manejos previne a redução da eficiência de fungicidas e de plantas resistentes.

Aliado a isto, é provável que nos próximos anos tenhamos mais opções de controle com a tecnologia na agricultura.   

Por: Mariana Gomes Pacheco de Sá