Controle químico de pragas: Saiba como fazer corretamente

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O controle químico de pragas foi uma das descobertas que revolucionaram a agricultura mundialmente, permitindo que maiores quantidades de alimentos fossem produzidas em uma mesma área, ao mesmo tempo.

Mas o uso de defensivos químicos de maneira errônea pode levar a diversos problemas, tanto ambientais como econômicos e sociais.

Não é que ele deve ser extinguido do sistema, porém, também não pode ser utilizado de forma indiscriminada sem levar em consideração outros fatores.

Por isso, no Manejo Integrado de Pragas (MIP), esse método pode ser usado de maneira que se controle as pragas e se preserve os demais aspectos que envolvem o manejo.

Explicarei melhor no conteúdo abaixo. Continue a leitura!

Controle Químico

Como você deve se lembrar, esse método faz parte dos pilares que auxiliam na estrutura do MIP, mas não é o principal pilar.

A ideia de manejo integrado surgiu justamente pela forma incorreta em que os defensivos estavam sendo usados.

Utilizar os pesticidas de maneira irracional pode comprometer a tecnologia da própria molécula química, fazendo com que seu princípio ativo não atue mais naqueles organismos.

Além disso, seu uso feito com aplicações calendarizadas não é um jeito inteligente de controle, pois não se pode prever quando a praga estará atacando.

Por isso, o monitoramento é essencial para a tomada de decisão que deve estar baseada nos níveis de controle das pragas.

Sem isso, pode acontecer das pulverizações serem em vão, sendo que envolvem gastos, mão de obra qualificada, maquinário e requer a presença da praga.

Então, para que o uso dos defensivos químicos seja feito de forma correta, é importante que você entenda os mecanismos de ação, níveis de controle, doses corretas para cada caso específico e todas as questões anteriores que envolvem o processo.

Como falei no início, não é que esse método não deve ser utilizado. Pelo contrário! Se for muito bem manejado e visando um bom equilíbrio do agrossistema, será bem-vindo.

Mas antes que você utilize o que está na moda ou o que te recomendaram, é importante que você entenda o que são os defensivos químicos.

Defensivos Químicos

Os defensivos químicos são muito comumente chamados de agrotóxicos, o que é uma conotação errada, pois o que define a toxicidade de um defensivo é sua dose e não somente o produto em si.

Também são chamados, tecnicamente, de produtos fitossanitários, já que irão contribuir para uma maior sanidade da cultura em que se deseja utilizá-los.

Mas engana-se quem pensa que defensivos químicos são somente inseticidas, já que estão classificados também nessa classe os fungicidas e os herbicidas.

A condição para o uso desses produtos é equilibrar o sistema agrícola, já que os organismos-praga estão desestabilizando a produção, gerando prejuízos.

Entretanto, aqui no MIP focaremos somente nos inseticidas.

Inseticidas

Os produtos inseticidas compreendem vários grupos químicos, os quais possuem diversos ingredientes ativos com princípios ativos diferentes.

De acordo com o Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC), atualmente, existem cinco grupos de inseticidas.

  • Sistema nervoso e muscular
  • Sistema digestivo
  • Crescimento e desenvolvimento
  • Respiração celular
  • Compostos de modo de ação desconhecido ou incerto

Em cada grupo, existem moléculas com ingredientes ativos diferentes.

Isso quer dizer que a estrutura química das moléculas tem diferentes maneiras de agir nos organismos, mas que estão dentro de um desses grupos químicos citados.

E todos esses inseticidas têm a mesma toxicidade?

Essa pergunta é muito importante, porque isso vai depender muito dos organismos que estão tendo contato.

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Inseticidas de amplo-espectro

Alguns inseticidas têm modo de ação de amplo espectro e, na maioria das vezes, são os que agem no sistema nervoso central, como os organofosforados, piretroides e neonicotinoides.

Isso quer dizer que o seu leque de ação é maior que dos outros grupos, então, por exemplo, podem atingir organismos não-alvo, como insetos benéficos.

Para que esses produtos possam ser utilizados, deve haver um manejo ecológico, ou seja, aplicados em épocas, doses e frequência corretas para que não provoque problemas ecológicos.

Vamos pegar de exemplo a bula de um inseticida de amplo-espectro para que você compreenda melhor.

Mospilan WG é um inseticida com ingrediente ativo acetamiprido, do grupo químico dos neonicotinoides.

Na bula, você consegue ver que o produto contém 72,5% do ingrediente ativo.

Por isso, é importante que você siga as recomendações de uso, porque vai depender da praga que deve ser controlada.

Supondo que a praga-alvo da sua lavoura de algodão seja o pulgão, você deverá utilizar 30g do produto comercial por hectare diluído em 200 L de água e realizar, se necessário, no máximo 2 aplicações durante todo o ciclo da cultura.

Essas recomendações estão muito relacionadas com a tecnologia do produto e sua toxicidade.

Além de seguir essas orientações, a base da estrutura do MIP deve ser feita para que você conheça como está a sua lavoura. 

Inseticidas de risco-reduzido

Os inseticidas de risco-reduzido são aqueles que atuarão de maneira mais específica nos insetos-praga.

Isso não quer dizer que não possam ser tóxicos, mas eles não irão agir da mesma maneira em todos os organismos.

Por exemplo, os reguladores de crescimento de insetos (RCI) não causam morte de pragas adultas, porque não têm especificidade para agir naquela fase dos insetos.

Outro exemplo seriam os inseticidas que agem no sistema digestivo, como aqueles com ingredientes ativos à base de Bacillus thuringiensis, o famoso Bt.

Eles atuam somente no intestino de lagartas da ordem Lepidoptera, por isso são mais seguros.

Normalmente, esses inseticidas são mais seletivos aos inimigos naturais da lavoura e contribuem para que permaneçam na área e atuem na redução das populações da praga, juntamente com as aplicações inseticidas.

Ainda assim é muito importante seguir as recomendações do fabricante.

Conclusão

O uso de controle químico no Manejo Integrado de Pragas (MIP) vai muito além de somente aplicar ou não o inseticida.

Toda a dinâmica da cultura deve ser levada em consideração antes de tomar a decisão de utilizar os defensivos químicos.

É importante que você entenda que os inseticidas podem ser de diferentes grupos químicos e modos de ação. Isso também deve ser um fator no momento de decidir qual produto usar.

Além disso, existem inseticidas de amplo-espectro e de risco-reduzido. Ambos poderão ser utilizados de acordo com a praga e necessidade do momento.

Original de CHBAGRO