Fique atento as pragas iniciais e doenças do Milho Safrinha

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Para assegurar a boa rentabilidade do milho na segunda safra, os produtores devem ficar atentos ao aparecimento de insetos e patógenos, a fim de realizar o manejo rápido e assertivo

Cada vez mais produtores têm investido no plantio de milho de segunda safra, cultivado logo após a colheita da soja. Ano a ano, a safrinha registra um aumento expressivo da sua área produtiva e vem se tornando mais relevante: atualmente, ela representa a maior área plantada e o maior volume de grãos de milho produzido pela agricultura brasileira.

De acordo com o último levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), estima-se que a área plantada de milho safrinha para 2020/21 atinja 14,8 milhões de hectares, o que representa um acréscimo de 7,9% em relação ao exercício anterior. A produção esperada é de 82,6 milhões de toneladas, representando incremento de 10,1% em comparação à safra passada.

Além de oferecer boa rentabilidade, o cultivo do milho safrinha possibilita o uso mais racional dos fatores de produção, como a terra, os maquinários e a mão de obra. Tudo isso em um período ocioso do ano, no qual o preço do grão costuma ser maior em comparação ao período de safra de verão e, frequentemente, com um menor custo de produção.

Apesar dos bons resultados, a expansão da fronteira agrícola aliada às mudanças climáticas aumenta a incidência de pragas e doenças que, se não forem controladas de forma rápida e assertiva, podem provocar muitos prejuízos para a cultura. Para manter as produtividades elevadas, são necessários alguns cuidados com esses insetos e patógenos, principalmente na fase inicial.

Pragas do milho safrinha

São várias as pragas que incidem com maior frequência no período de cultivo do milho safrinha. A seguir, vamos abordar três delas com maior destaque.

Fonte: freepik

Percevejo-barriga-verde

(Dichelops furcatus)

O percevejo-barriga-verde é capaz de causar danos irreversíveis à cultura do milho. Ele ataca a soja no final do ciclo e permanece na palhada e/ou em plantas hospedeiras após a colheita, podendo hibernar por meses sem a necessidade de se alimentar. Em seguida, com o plantio da safrinha, o inseto ataca as plântulas do milho.

É uma praga sugadora que, com o seu estilete bucal, perfura e suga a seiva da planta, enfraquecendo-a. Conforme a cultura se desenvolve, formam-se áreas necrosadas no sentido transversal da folha, que podem dobrar na região danificada.

Com o ataque, a evolução das plantas fica comprometida, apresentando um sintoma chamado “encharutamento” ou “enrosetamento”. Em ataques severos, pode ocorrer, ainda, o superperfilhamento e a morte das plantas, que consequentemente levam à queda da produtividade e da qualidade dos grãos.

Lagarta-elasmo

(Elasmopalpus lignosellus)

A lagarta-elasmo é uma das principais pragas iniciais do milho, com alto potencial destrutivo. Os primeiros 30 dias após a emergência das plantas são os mais críticos para o ataque do inseto que, inicialmente, alimenta-se do caule e das folhas jovens, causando o enfraquecimento, o tombamento e até a morte da planta.

Depois, essas pragas descem para o solo e penetram no colo, provocando uma galeria ascendente que destrói o ponto de crescimento do milho. Devido ao seu ataque, ocorre primeiramente a morte das folhas centrais, sintoma denominado “coração morto”.

Lagarta-do-cartucho

(Spodoptera frugiperda)

A lagarta-do-cartucho adulta tem coloração que varia entre marrom, verde e preto, com um característico Y invertido na parte frontal da cabeça, e tem grande potencial de destruição e alta voracidade. Quando recém-eclodida, ela se alimenta de tecido verde, realizando a raspagem nas folhas.

Quando está completamente desenvolvida, começa a realizar orifícios nas folhas, podendo atacar as plântulas, as espigas e perfurar a base da planta, atingindo o ponto de crescimento e provocando o sintoma de “coração morto”.

Original de Atua Agro