Governo libera uso de novos agrotóxicos no país

Compartilhe

Na última segunda-feira, 11, o Ministério da Agricultura divulgou uma lista que autoriza o uso de 56 agrotóxicos pelos agricultores, sendo 51 genéricos e cinco inéditos.

Ainda que a divulgada corresponda aos últimos registros autorizados no ano de 2020, tal ato influencia na soma de 461 liberações neste setor no ano

Do total mencionado, o Ministério informa que, 37 se tratam de agrotóxicos químicos, enquanto os outros 19 se referem a agrotóxicos biológicos, os quais podem ser aplicados tanto em lavouras comerciais quanto na produção de alimentos orgânicos. 

No entanto, cinco destes agrotóxicos são inéditos na lista.

Quatro deles são formulados através de um químico chamado de Tolfenpirade, que atua simultaneamente como inseticida e herbicida, auxiliando no controle de pragas que sugam a seiva da planta. 

No que se refere aos outros produtos biológicos, o registro se trata de um que é produzido como o agente Clonostachys rosea, um fungicida bastante utilizado no combate à podridão-cinzenta, a qual costuma atingir especialmente as frutas.

Registros anuais 

No geral, foram 461 registros de novos agrotóxicos sendo utilizados no Brasil em 2020, com base nas publicações feitas no Diário Oficial da União. 

Vale ressaltar que na verdade, ao longo do ano, o Governo Federal autorizou 462 produtos, no entanto, um deles foi anulado.

Desde o ano de 2005, momento em que o Governo começou a apurar os registros de pesticidas, a análise de 2020 perde somente para 2019, ano em que o país bateu o recorde na liberação de agrotóxicos

Até então, foram identificados 10 princípios ativos inéditos no ano, destes, cinco são pesticidas biológicos e outros cinco, químicos.

Por outro lado, os outros 451 registros são genéricos, sendo:

  • 220 ingredientes químicos de agrotóxicos que são vendidos aos agricultores;
  • 90 pesticidas biológicos vendidos aos agricultores;
  • 141 princípios ativos para a indústria formular agrotóxicos.
Por: Freepik

Novo modelo de divulgação

Logo nos primeiros dias do ano, o Governo Federal modificou o método utilizado para anunciar a liberação dos agrotóxicos.

Nota-se essa mudança porque, em 2019, o Ministério da Agricultura costumava divulgar a aprovação dos pesticidas voltados para a indústria e agricultores no mesmo ato no Diário Oficial da União.

Entretanto, a notória série de registros que marcou 2019 pelo recorde de liberações, considerava a aprovação de dois modelos de agrotóxicos, sendo o primeiro aquele que se direciona às indústrias e o segundo para os agricultores.

Em nota, o Ministério da Agricultura informou que a iniciativa de separar as publicações, distinguindo os formulados para os agricultores e os técnicos para as indústrias, tem o intuito de transparecer a finalidade de cada um deles.

“Assim, será mais fácil para a sociedade identificar quais produtos efetivamente ficarão à disposição dos agricultores e quais terão a autorização apenas para uso industrial como componentes na fabricação dos defensivos agrícolas”, completou o ministério.

Funcionamento do registro 

Antes de mais nada, é preciso que o aval de um novo agrotóxico no Brasil, passe por 3 órgãos reguladores:

  • Anvisa, que avalia os riscos à saúde;
  • Ibama, que analisa os perigos ambientais;
  • Ministério da Agricultura, que analisa se ele é eficaz para matar pragas e doenças no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órgãos.

Tipos de agrotóxicos

  • Produto técnico: princípio ativo novo; não comercializado, vai na composição de produtos que serão vendidos;
  • Produto técnico equivalente: “cópias” de princípios ativos inéditos, que podem ser feitas quando caem as patentes e vão ser usadas na formulação de produtos comerciais. É comum as empresas registrarem um mesmo princípio ativo várias vezes, para poder fabricar venenos específicos para plantações diferentes, por exemplo;
  • Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor;
  • Produto formulado equivalente: produto final “genérico”.

Com informações de G1 adaptadas para o Dia Rural