Greve na Argentina reduz volume de farelo de soja; confira os impactos para o Brasil

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Analista diz que paralisação deve durar até a próxima semana, mas preços deve continuar elevados

A Argentina, maior exportadora global de farelo de soja, continua registrando greve dos trabalhadores portuários e reduzindo o volume do produto no mercado internacional. A falta do farelo já fez as cotações de soja na bolsa de Chicago subirem mais de 2% esta semana.

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Em nota, o sindicato dos receptores de grãos e anexos da República Argentina afirma que após mais de dez horas de audiência no ministério do trabalho da Argentina, não houve um acordo que pudesse colocar fim ao protesto. Dessa forma, continuam paralisadas as atividades em 22 portos.

A chamada comissão de enlace, formada pelas quatro principais entidades do setor rural da Argentina, pediu ao governo que arbitrasse os meios para que os portos de grãos voltassem a funcionar. Em nota, as entidades agrícolas expressaram seu “alarme com a paralisação dos portos de grãos de todo o país que dura uma semana e impede o normal funcionamento do comércio exterior”.

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Diante desta situação, solicitaram ao governo argentino que implemente as mesas de diálogo para desbloquear este conflito.

Segundo lideranças da paralisação, 4,5 milhões de toneladas de grãos e subprodutos seguem em espera para serem embarcadas em 129 navios.

De acordo com este analista de mercado Enio Fernandes, da Terra Agronegócio, a paralisação deve durar até a próxima semana.

“As greves de mercado não duram muito. Agora, quanto à questão do preço do farelo, ele continuará valorizado por causa do La Ninã e da alta demanda por proteína animal, que aumenta a demanda de farelo e é por esse motivo que acreditamos nessa projeção, disse.

Segundo o comentarista Miguel Daoud, essa elevação nos preços pode impactar a cadeia de proteína animal e na inflação do Brasil. “O farelo de soja é essencial na alimentação e impacta na proteína animal, que acaba impactando nossa inflação e toda cadeia. A Argentina vive um problema gravíssimo do sucateamento de sua infraestrutura, com estradas deterioradas e pobreza em 50%. Essa greve reflete uma situação precária do país que é o maior exportador de farelo do mundo”, finalizou.

Original de Canal Rural