Mel e plantas medicinais trazem benefícios em tempos de doenças respiratórias

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O inverno, período mais frio e seco do ano, também é conhecido como o mais propício para a manifestação de doenças das vias respiratórias e gripes. No entanto, neste início de 2022, ainda no verão, a incidência de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs) tem sido muito alta, por conta do momento delicado da pandemia de Covid-19 − com uma variante de alta transmissibilidade − e grande circulação de vírus influenza. Por isso, os cuidados com a saúde devem ser redobrados, com necessidade de mais rigor na higiene e capricho na alimentação, a qual deve prover uma nutrição adequada, para que o organismo seja fortalecido e fique apto a combater doenças.

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Ao longo dos anos, as pessoas se acostumaram a tomar chás e outros preparados caseiros com plantas, para prevenir ou atenuar sintomas de doenças sazonais como gripes e resfriados, como fruto de uma tradição que passa de geração em geração, na maioria das famílias brasileiras. Mas, nos últimos anos, o que se tem observado é a indicação mais frequente, também por parte de profissionais da saúde, sendo a Fitoterapia uma prática integrativa e complementar oficializada no Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre as plantas e os alimentos que podem ser consumidos com essa função, Maria Cláudia S. G. Blanco, engenheira agrônoma do Departamento de Extensão Rural (Dextru), da CATI – responsável pelo Projeto de plantas medicinais e aromáticas da instituição -, destaca nesta matéria o guaco, o gengibre e o mel, que são de fácil acesso, estando presentes, inclusive, na rotina diária de muitas pessoas. “Uma das riquezas nutricionais do Brasil é a diversidade de alimentos e plantas cultivadas ou espontâneas, que o solo do país nos oferece. Outro ponto de destaque é a riqueza cultural que os povos tradicionais e os agricultores nos presenteiam ao longo de nossa história, com receitas oriundas de alimentos e plantas que fazem bem à nossa saúde, os quais, cada vez mais, têm sua eficácia comprovada pela ciência. Neste contexto, destacamos o guaco, o gengibre e o mel, por serem fontes de diversas substâncias biotivas de ação terapêutica, e, por isso, têm sido recomendados frequentemente por profissionais da saúde e pesquisadores”.

A agrônoma explica que o trabalho da CATI com as plantas medicinais, além de ter como objetivo gerar conhecimento, diversificação de renda e oportunidade de geração de renda para produtores rurais e periurbanos, o cultivo dessas e de outras plantas, bem como o trabalho na apicultura e meliponicultura, os quais aumentam a oferta desses itens no mercado com qualidade assegurada, podem, de forma integrativa e complementar, melhorar a saúde de mais pessoas, pois geram maior quantidade de matéria-prima para muitas instituições de caráter assistencial e serviços públicos de saúde que disponibilizam essas plantas para a população, in natura ou já processadas, em formulações medicamentosas simples como xarope e chá. “É o caso de programas como o de Fitoterapia de Campinas – Projeto Farmácias Vivas, e os Serviços de Saúde Integrativa do SUS”.

Além de campanhas, cursos e capacitação de técnicos de várias regiões paulistas, os quais são responsáveis pela difusão de conhecimento e tecnologia, tanto na área de plantas medicinais quanto nas áreas de apicultura e meliponicultura, a CATI mantém um Horto/Matrizeiro em sua sede, em Campinas. “Desde a década de 1990, a instituição vem se firmando como um órgão referência em extensão rural nesse segmento, com o desenvolvimento do Projeto Farmácia Viva – Adote este remédio (realizado em sintonia com a pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e de universidades), o qual foi aprimorado com a instalação de uma coleção de plantas matrizes com identificação botânica certificada, a partir da qual são produzidos kits de mudas e materiais técnicos com as orientações sobre cultivo e preparo de cada uma das plantas (trabalho que será retomado, conforme houver arrefecimento da pandemia). Inicialmente, estamos trabalhando com 50 espécies, as mais conhecidas e com propriedades comprovadas cientifica e empiricamente por comunidades tradicionais que fazem uso dessas plantas há séculos”, relata a agrônoma, destacando que entre as espécies cultivadas estão o guaco, o capim-cidreira, a babosa, o malvarisco, o ginseng brasileiro, a cavalinha e o açafrão-da-terra.

Os produtores interessados no cultivo comercial de plantas medicinais e nas atividades de apicultura e meliponicultura devem procurar a Casa da Agricultura de seu município, onde os extensionistas da CATI poderão orientá-los tecnicamente.

Guaco, gengibre e mel: um pouco sobre os benefícios nutracêuticos e dicas de cultivo doméstico e compra segura

As breves informações sobre as duas plantas e o mel e suas propriedades foram compiladas conforme o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e literaturas especializadas. “Sobre as plantas medicinais, nosso objetivo com essas dicas é mostrar às pessoas de forma geral, que essas plantas também podem ser cultivadas em áreas pequenas de casa, algumas até em vasos, estimulando também as preparações caseiras que ajudam na melhoria da imunidade e atenuam sintomas de doenças como gripes e resfriados”, explica Maria Cláudia.

Guaco (Mikania glomerata Spreng. e Mikania laevigata Sch. Bip. ex Baker)

Segundo Maria Cláudia, no bioma brasileiro da Mata Atlântica ocorrem duas espécies de guaco, cujas propriedades medicinais são comprovadas e, por isso, foram incluídas na Farmacopeia Brasileira. Ambas possuem ação broncodilatadora, indicadas como expectorantes e têm a cumarina como princípio ativo principal. Para elaboração de chás e xaropes caseiros, o guaco pode ser utilizado fresco ou seco.

Dicas básicas para o cultivo doméstico

O guaco pode ser cultivado em vaso, que deve ser grande. Como é planta trepadeira, deve-se ter o cuidado de colocar o vaso próximo de um tutor como, por exemplo, uma cerca ou muro, para que o tronco se sustente e seja conduzido. É propagado por estaca de galho, pode ser cultivado a pleno sol ou à meia-sombra, sendo que o sombreamento favorece a produção da cumarina. A colheita das folhas deve ser feita preferencialmente na pré-floração.

Gengibre (Zingiber officinale)

O gengibre, originário da Ásia, é uma planta perene rizomatosa que pode atingir um metro de altura. O rizoma carnoso é a parte comestível da planta, sendo utilizado na culinária, agroindústria de bebidas e alimentos, perfumaria e produção de medicamentos e cosméticos. É uma planta que faz parte da Farmacopeia brasileira.

Pode ser consumido fresco ou desidratado. É utilizado em diversos produtos medicinais como xarope e pastilhas, em variadas preparações culinárias doces ou salgadas, em chás, sucos e outras bebidas como o quentão, típico das festividades juninas brasileiras.

Dicas básicas para o cultivo doméstico

O gengibre também pode ser cultivado em vasos grandes e de boca larga, para facilitar a colheita dos rizomas, com um substrato leve, areno-argiloso e rico em matéria orgânica. Os rizomas encontrados no comércio (feiras, supermercados etc.) podem servir de propágulo-semente, desde que estejam frescos e com gemas entumecidas, em início de brotação. Plantar a uma profundidade entre 5cm e 10cm. A colheita deve ser feita quando as folhas secam e ficam amarelas.

Mel

O mel é constituído essencialmente de vários açúcares, predominantemente D-frutose e D-glicose, como também de outros componentes e substâncias como ácidos orgânicos, compostos fenólicos, enzimas e partículas sólidas coletadas pelas abelhas, sendo considerado um produto rico em vitaminas e minerais. Seu sabor e aroma variam de acordo com a fonte floral. “Variedades de mel podem ser identificadas por sua cor, seu aroma e sabor, refletindo toda a diversidade da paisagem na qual as abelhas coletaram seus recursos. A cristalização é um processo natural relacionado às características físico-químicas do mel, a qual pode ser revertida por meio do aquecimento de pequenas quantidades do produto em banho-maria, para que o calor não altere suas propriedades”, destaca Carolina Matos, especialista ambiental do Departamento de Sustentabilidade Agroambiental da CATI.

Segundo Maria Cláudia, dentre as várias ações medicinais do mel relacionadas às doenças respiratórias, destacam-se as ações cicatrizante e antimicrobiana, sendo esta última responsável pela redução da inflamação e do inchaço da garganta e dos pulmões, tendo eficácia nos casos de gripe e resfriado, reduzindo e aliviando a tosse. “É importante lembrar que o mel não é aconselhado para crianças pequenas até os três anos de idade, devido à possibilidade de o intestino, ainda imaturo, não impedir a entrada de pequenos micro-organismos que, se presentes no mel, podem causar infecções”, explica a agrônoma.

Para se ter o máximo benefício do mel, é fundamental adquirir um produto de qualidade e de origem comprovada. Por isso, segundo Carolina, o consumidor deve estar atento à presença de rótulo com informações sobre a florada, composição nutricional, dados completos da empresa ou entreposto de origem e, o mais importante, a presença de selos de inspeção (municipal – SIM, estadual – SISP ou federal – SIF), e só adquirir o produto de estabelecimentos idôneos. “Produtos adulterados, sem rótulos e vendidos na rua por ambulantes, além de não trazerem os benefícios do mel, podem pôr em risco a saúde do consumidor”, avalia.

A CATI, por meio da Campanha Mel Seguro, tem realizado uma série de lives e elaborou audioboletins com informações para orientar consumidores, comerciantes e profissionais de diversas áreas a reconhecerem um produto de qualidade e evitarem fraudes alimentares.

Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo