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Cultivo de Tomate para indústria em Goiás sofre com infestação de Nematoide

Praga compromete raízes e pode reduzir produtividade em até 80%, afetando centenas de hectares; especialistas recomendam medidas preventivas e manejo adequado

04/06/2024 às 10h20 Atualizada em 04/06/2024 às 10h24
Por: Carlos Freitas Fonte: Embrapa
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Cultivo de Tomate para indústria em Goiás sofre com infestação de Nematoide/Créditos de imagem Freepik
Cultivo de Tomate para indústria em Goiás sofre com infestação de Nematoide/Créditos de imagem Freepik

As áreas de cultivo de tomateiro para processamento industrial no estado de Goiás estão sendo afetadas por uma espécie de nematoide que compromete o crescimento das plantas, fenômeno conhecido como "tomate travado". A praga também danifica as raízes, provocando atrofia radicular e reduzindo a produtividade em até 80%. Especialistas estimam que 554 hectares já foram afetados pelo patógeno.

As ocorrências foram registradas nos primeiros meses de 2024, nos cultivos de tomate industrial nos municípios goianos Silvânia (122 ha), Vianópolis (104 ha), Luziânia (178 ha), Hidrolândia (60 ha) e Bela Vista de Goiás (90 ha), que apresentaram problemas semelhantes nas áreas produtoras. Alertada por produtores, a Embrapa Hortaliças (DF) identificou a origem. Por meio de análise preliminar, com base nos sintomas apresentados, considerou-se a possibilidade de os fitonematoides serem a causa do problema, conforme explica o responsável pelo laboratório de Nematologia da Embrapa Hortaliças.

Recomendações

É enfatizada a importância do controle preventivo como principal ferramenta para lidar com esse problema. São recomendadas várias ações para impedir a infestação do patógeno: plantar mudas sadias, produzidas preferencialmente em bandejas e com substratos esterilizados; evitar terrenos infestados, buscando conhecimento prévio do histórico da área de plantio; lavar os pneus de trator e os implementos com jatos de água, para retirar partículas de solo aderidas, deixando-os secar bem antes de entrar em nova área; desinfestar máquinas e implementos agrícolas usados em áreas suspeitas de infestação e que venham a transitar em área a ser cultivada; e limpar poços e canais de irrigação após o período chuvoso para manter a água limpa e evitar a dispersão de nematoides.

É importante também incorporar matéria orgânica ao solo, que aumenta a população de microrganismos antagônicos aos nematoides, além de enriquecer a área e tornar as plantas mais tolerantes à infecção. Fazer o manejo adequado da irrigação contribui para desfavorecer o aumento da população e o movimento de nematoides, além de retardar a infecção de plantas e a infestação do solo. Recomenda-se ainda retirar restos de outras culturas contaminados da lavoura e destruí-los, e nunca incorporá-los ao solo na área de cultivo, além de fazer rotação de culturas com plantas não hospedeiras, principalmente crotalárias, como a Crotalaria spectabilis, que não multiplica o nematoide-das-lesões radiculares. As crotalárias são ótimos adubos verdes e funcionam como bons condicionadores do solo.

Diagnóstico

O diagnóstico foi feito após uma série de ações integradas, como coletas de solos em regiões com e sem o problema, avaliações comparativas de ocorrência de patógenos do solo, histórico de utilização das áreas e uma análise histológica (estruturas e processos biológicos) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). A partir dessas iniciativas, foi possível descobrir que o ataque às plantas era causado pelo nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus brachyurus), um novo agente causador de prejuízos para a cadeia produtiva do tomateiro industrial.

Com a intensificação da agricultura no país e a expansão de novas áreas de plantio, o Pratylenchus brachyurus, até então considerado um patógeno de importância secundária para a cultura do tomateiro do segmento industrial, vem causando danos severos nos plantios comerciais de importantes polos de produção na região Central do Brasil.

Rotação pode agravar o problema

Durante a fase de prospecção, constatou-se que as áreas de produção no município goiano de Silvânia foram as mais comprometidas pela presença desse patógeno. Isso levou os pesquisadores a descobrir um agravante do problema. Na maioria das áreas avaliadas, verifica-se que a rotação de culturas realizada com soja, milho e arroz agrava ainda mais o problema, pois essas culturas, utilizadas na alternância com o tomate, são eficientes multiplicadores de P. brachyurus, principalmente a soja, que vem apresentando prejuízos bastante expressivos nos últimos anos.

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