O mais novo grande desafio da sojicultura, o controle de percevejos

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A soja é a cultura mais importante para a agricultura brasileira, é a principal atividade agrícola do país e a cultura com maior área cultivada.

Mas ao longo desses anos não só a área cultivada aumentou como também a diversidade de pragas presente na lavoura.

Antes a atividade era dominada por lagarta, hoje o grande desafio são os percevejos.

Conheça neste artigo tudo sobre essa nova praga.

As principais espécies de percevejo encontrados na soja são o percevejo verde (Nezara viridula), percevejo marrom (Euschistus heros), percevejo verde pequeno (Piezodorus guildinii) e os percevejos barriga verde (Dichelops spp.).

Os percevejos causam danos tanto nas fases jovens quanto adultas, ao contrário das lagartas que causam danos principalmente nas folhas durante a fase jovem.

Eles se alimentam dos grãos, o que resulta em perdas tanto quantitativas quanto qualitativas, também facilitando a entrada de patógenos que se estabelecem nos grãos e causam doenças diminuindo o vigor das sementes e a qualidade dos grãos.

Um dos principais fatores que influenciam na dificuldade de controle dessas pragas na soja é a dinâmica das populações que se iniciam na cultura anterior, como por exemplo o percevejo barriga verde que antes era uma praga conhecida do milho, porém após sucessivos cultivos com a soja, esta praga se estabeleceu nesta cultura também.

Outro fator é o aumento de adoção da soja transgênica que passou a controlar as principais lagartas que até então eram as maiores ameaças na cultura, mas abriu espaço para o estabelecimento de novas pragas como os percevejos. 

Um fator que não podia ser deixado de lado é o aumento de resistência de percevejos aos inseticidas.

Isso ocorre por causa do uso indiscriminado de inseticidas químicos, sem rotacionar com outros modos distintos de ação, o que é fundamental para diminuir a velocidade de seleção de indivíduos resistentes.

Semeadura de soja em Passo Fundo, norte do RS – Foto: Joseani Antunes

O controle de percevejos na soja é de 4 por pano de batida.

Sua entrada na lavoura de soja se dá pelas áreas marginais ainda nas fases iniciais do período vegetativo, sendo o período em que os grãos ainda não estão presentes, sendo necessário o controle para as bordaduras.

Esse controle da população inicial é essencial para manter a praga abaixo do nível de controle no período crítico da cultura.

Além da economia na pulverização, essa estratégia também contribui para diminuir a pressão de seleção sobre a praga, evitando assim o aumento no número de indivíduos resistentes.  

Esta é a principal tática de controle empregado pelo agricultor e utilizá-la adequadamente prolonga seu poder de controle no campo tanto em tecnologia de aplicação e pulverização no nível de controle quanto na rotação de grupos químicos além de retardarem a evolução da resistência.

O controle químico apresenta uma eficiência satisfatória porém ele pode apresentar também falhas de controle.

É importante que o produtor saiba que esta não é a única opção disponível para o controle dos percevejos.  

Vem crescendo o controle biológico como alternativa ao controle químico.

Um fator para isso é o aumento da disponibilidade e da facilidade de aplicação dos produtos microbiológicos como fungo e microbiológico como predadores e parasitóides.

Sempre quando o assunto é Manejo Integrado de Pragas a combinação de métodos diferentes de controle é de extrema importância para o equilíbrio dentro da lavoura, preservando inimigos naturais, evitando a contaminação do ambiente e mantendo as pragas abaixo do nível de dano.

A cultura da soja é uma das culturas com maior número de tecnologias para o manejo fitossanitário e o controle de percevejos é desafiado porém apresenta um leque de opções que quando utilizadas de maneira correta, garantem o sucesso da lavoura. 

Por: Mariana Gomes Pacheco de Sá