Prejuízos da guerra para o Agronegócio

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“Essa guerra pode resultar no aumento dos pedidos de recuperação judicial no agro”, avalia especialista

Douglas Duek, especialista em agronegócio e reestruturação de empresas, faz uma análise sobre como a guerra pode afetar o agronegócio do Brasil.

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A guerra da Rússia contra a Ucrânia há dias vem preocupando o mundo, por conta das vidas perdidas, cidades devastadas, ameaça de terceira guerra mundial e impactos na economia mundial. Especialmente para o Brasil, essa guerra trouxe grande aumento de produtos e insumos de quase todos os segmentos. No setor do agronegócio, 70% dos insumos utilizados vêm do exterior e a Rússia é a principal fornecedora. No ano passado, o agro importou 23% de adubos e fertilizantes vindos do leste europeu, segundo o Ministério da Economia.

Douglas Duek, especialista em agronegócio e reestruturação de empresas e CEO da Quist Investimentos, analisa que os impactos do setor começam com a lógica de mercado que aumenta preços quando o serviço se torna mais escasso. “Especificamente em relação ao leste europeu, é um dos lugares que faz bastante insumo para o nosso agro. Temos tipos de produção que usam especificamente produtos de lá para corrigir a terra, como a ureia, o fósforo, entre outros. Só de não poder embarcar um produto como a ureia, por exemplo, teremos uma mexida de preços, porque os outros lugares que também exportam ureia vão aumentar o preço por conta da menor oferta.  Outra questão forte nisso, é o petróleo.  O petróleo já subiu quase 90% nos últimos 12 meses e é um insumo crucial para o agronegócio. Ele está presente em todos os tipos de cultivos e é utilizado de forma intensa em todas as fases, desde a plantação até a venda. Então o impacto é muito forte!”, afirma.

O especialista diz que o momento que estamos passando deve ser observado para todas essas alterações nos insumos. “A semente vai ficar mais cara, os químicos vão ficar mais caros e também os produtos que fazem parte do preparo da terra e produção, então o produtor rural vai precisar se preparar bem e fazer as contas na ponta do lápis. O prejuízo, infelizmente, é inevitável!”, destaca.

Para Duek, os impactos devem ser mantidos a curto prazo, levando em consideração que a pressão mundial por reajustes aconteça. “Acredito que os impactos são no curto prazo porque vai acabar tendo uma pressão para eu ajustes justo dos preços. A longo prazo, a tendência é que as coisas se ajustem, assim como esperamos que a guerra acabe”, comenta o especialista que destaca que esta guerra, inclusive, pode aumentar o número dos pedidos de recuperação judicial no setor agro. “O produtor rural que já está endividado, com baixa margem, com histórico de dificuldade financeira, vai sentir mais. Possivelmente, os credores podem ficar com medo e retrair o crédito. Tudo para este produtor vai ficar mais caro e difícil. Com a inflação e as subidas dos preços, para produzir a mesma coisa que produziu no ano passado e que custou R$10 milhões, por exemplo, neste ano pode chegar a R$12 milhões. E este produtor com dificuldade pode não ter esse dinheiro para fazer sua produção girar. Essa junção de situações pode resultar no aumento de pedidos de recuperação judicial. Inclusive, a QuistInvestimentos já vem sentindo um leve aumento nas solicitações de diagnósticos desses produtores rurais que atendemos Brasil a fora”, conclui.

Sobre a possibilidade de uma terceira guerra mundial, o especialista ressalta: “Se tivermos uma situação de terceira guerra mundial, com mais países envolvidos, vamos para um outro cenário. Não é à toa, que em 1929, na primeira guerra, vimos que os EUA sofreu sua maior crise. A disparada de preços do petróleo, falta de produtos, falta de alimentos são alguns dos problemas que serão intensificados. Daí, temos uma situação catastrófica! É uma situação que não podemos prever agora e até fazer uma projeção do que isso vai influenciar no agro e o que vai acontecer. Numa situação dessa, para conseguir produzir algo, o produtor rural vai se ver obrigado a fazer como se fazia há 30 anos atrás, sem insumo importado, sem tanta ajuda de outros países, sem tecnologia, com ausência de ajuda dos bancos e outros, assim como afetará o mundo inteiro em todas as áreas”, finaliza Douglas Duek.

Fonte: Lam Comunicação