Produção e recuperação de áreas são melhoradas com sistemas agroflorestais no PA

Compartilhe

Cultivar a banana e o bacuri em Sistemas Agroflorestais é uma estratégia de produção e de recuperação de áreas para agricultores situados na bacia Hidrográfica do Rio Marapanim, na região Nordeste do estado do Pará. O assunto foi tema de um treinamento realizado pela Embrapa que reuniu agricultores e técnicos, na última quinta-feira (05/05), no Campo Experimental da instituição no município de Terra Alta, no Nordeste Paraense.

<\/div>

A Bacia do Rio Marapanim é a região de colonização mais antiga da Amazônia e atualmente sofre com as consequências da ocupação desordenada. “Essa região compreende doze municípios paraenses e apresenta problemas socioambientais decorrentes do desmatamento e do assoreamento das margens”, conta o analista João Paulo Both, da Embrapa Amazônia Oriental. 

A estratégia encontrada para reduzir o passivo ambiental e ao mesmo tempo gerar produção e renda aos agricultores que vivem na região é a utilização dos Sistemas Agroflorestais (SAF) na recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL). “A ideia é trazer essas tecnologias sustentáveis para reduzir o passivo ambiental da região e que possam gerar renda para os agricultores”, acrescenta Both. 

O curso, que reuniu agricultores e técnicos da extensão rural, trouxe conteúdos teóricos e práticos sobre o sistema de produção da bananeira em SAF, o manejo de bacurizais nativos, além de técnicas de plantio direto, propagação de fruteiras e produção de mudas.  

“Como região tem ocorrência natural do bacurizeiro, nós estamos trabalhando essa fruteira nativa dentro dos Sistemas Agroflorestais e também introduzindo a cultura da bananeira, trazendo mais resistentes às principais pragas e doenças que existem nesse cultivo”, afirma o analista Antônio Menezes, da Embrapa Amazônia Oriental.  

O Brasil produziu quase 7 milhões de toneladas de banana, em 2020, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado do Pará é o oitavo no ranking nacional de produção, com 607 mil toneladas em 2020.

Acesso a tecnologias

Para Max Brito, que é técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater – Castanhal), o aporte de tecnologia é fundamental para melhorar a condição produtiva e ambiental da agricultura familiar. “As práticas produtivas e tecnologias são muito importantes para o agricultor conseguir ter uma produção melhor. Desde as questões básicas como preparo de solo, nutrição, manejo até o acesso a variedades que sejam mais resistentes, por isso a interação pesquisa e extensão é fundamental”, afirma o extensionista.

O acesso a novas tecnologias também foi citado pela agricultora Ruth Rocha, do município de São Caetano de Odivelas. Ela, que é aluna do curso técnico em fruticultura, trabalha com banana, cupuaçu e com o bacuri nativo. “O curso ajudou bastante na prática do campo, isso porque são novas doenças, novos manejos e precisamos atualizar nossos conhecimentos”, conta a agricultora.

O consórcio do bacuri com o banana vai ser a meta do agricultor Lúcio César Miranda, do município de Curuçá. “Como a nossa região tem muito bacurizeiro, então a gente vai consorciar com a banana. E com as práticas de manejo e variedades melhoradas, a nossa expectativa é ter uma produtividade muito melhor”, finalizou o agricultor.

O curso “Técnicas de cultivo de fruteiras – teoria e prática: bananeira e bacurizeiro em SAF” é uma ação do projeto Transferência de Tecnologias Sustentáveis para restauração de APPs e RLs das nascentes que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Marapanim, região de integração do Guamá, PA. O projeto é coordenado pela Embrapa e tem o apoio da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Emater Pará e Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Marapanim.

Fonte: Embrapa