Programa Integra Zebu dá início a recuperação de pastagens

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A Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) iniciou no fim de dezembro os primeiros plantios do programa Integra Zebu. O projeto, que é uma parceria entre a instituição e a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), instalou três Unidades Demonstrativas (UD) e uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) em Goiás.

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O projeto tem o objetivo de recuperar pastagens degradadas, por meio dos sistemas de Integração Lavoura e Pecuária (ILP) e Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), adotando o cultivo consorciado, em sucessão ou em rotação, de forma que haja benefício mútuo para todas as atividades. Além de Goiás, já aderiram ao programa os Estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Tocantins.

Segundo Ana Kássia Ribeiro, assessora técnica da Emater, os critérios para a seleção das unidades foram o enquadramento enquanto agricultura familiar e a presença de algum nível de degradação nas áreas de pasto do estabelecimento rural. Desse modo, foram escolhidas três propriedades, situadas nos municípios de Firminópolis, Goiás e Mambaí. 

Após esse processo, iniciou-se a coleta de solo que foi destinada ao laboratório para a realização das análises laboratoriais. Em novembro, os três produtores das Unidades Demonstrativas e a Estação Experimental da Emater em Araçu, onde ficará a URT, receberam a doação de 7,5 toneladas de siligesso, 1 tonelada de adubo para plantio e 1 tonelada de adubo para cobertura. Em seguida, cada UD e URT seguiram seus cronogramas de acordo com a realidade de cada local.

Unidade Goiás

“Esse projeto veio em boa hora porque vontade a gente tem, mas as condições financeiras nem sempre são favoráveis. Então a expectativa é muito grande para que possamos melhorar a nossa produção”, conta Benedita Ivani, proprietária da UD do município de Goiás. A produtora, em conjunto com os técnicos locais Darminda Maria da Silva e Benício Emmanuel, com a consultoria do zootecnista Fernando Coelho, decidiram implantar o sistema de Integração Pecuária e Floresta. 

“Foi escolhido esse modelo porque os integrantes da família colhem o fruto do Baru da região para comercializar a castanha, então surgiu a ideia e oportunidade de implantar um sistema IPF utilizando como componente florestal a nativa do Cerrado Baru com finalidade de explorar a castanha”, explica Ana Kássia.

Unidade Firminópolis

Na UD de Firminópolis, o produtor Aníbal Vieira contou com a assistência do zootecnista Alexandre Alves. Foi realizada a reforma da área de pasto utilizando-se o sistema de Integração Lavoura Pecuária e a aplicação em uma área de pasto rotacionado para se observar a diferença em relação a pastos que não receberam o siligesso. No mês de dezembro, foram realizadas duas arações para quebra da camada compactada do solo. Posteriormente, foi feito o preparo da terra e o plantio do milho.

Após a planta do milho apresentar padrão de quatro folhas, no dia 14 de janeiro de 2022 foi realizado o plantio do capim e a adubação de cobertura do milho. “A área onde foi implantada a unidade estava bem degradada, com muita grama e muito cupim. Eu estou com uma expectativa ótima para a renovação da pastagem”, relata Aníbal.

Unidade Mambaí

Na propriedade de Adão Ribeiro, onde fica a UD do município de Mambaí, a área de pastagem continha grande presença de plantas invasoras, por isso, a limpeza foi o primeiro passo. Em virtude do grande volume de chuva, o plantio ainda não foi realizado, mas a expectativa é que aconteça em fevereiro.

A proposta do técnico local Antônio Barroso é realizar a reforma da pastagem degradada com o sistema de Integração Lavoura Pecuária e pastejo rotacionado. Em seguida, quando o pasto estiver formado, Adão pretende fazer uso de irrigação e melhorar o gado para o aumento da produção de leite. 

Unidade de Referência Tecnológica

A Unidade de Referência Tecnológica, implantada na Estação Experimental da Emater em Araçu, servirá como modelo físico do sistema de IPF para que os pecuaristas goianos possam aplicar em suas propriedades as técnicas ali demonstradas. Dessa forma, é possível a formação de agentes multiplicadores e uma rede de difusão focada na inovação e na sustentabilidade agrícola.

Na URT, que possui uma área de 1,8 ha, será realizado o trabalho de recuperação da pastagem já estabelecida, onde pretende-se conduzir um experimento com o objetivo de avaliar as características agronômicas do Capim Mombaça em sistema de ILPF e avaliar a produtividade de leite por meio da prática do controle leiteiro.

“É do nosso interesse que os produtores das imediações da Estação Experimental de Araçu vejam a diferença em manejar bem a pastagem em relação ao sistema tradicional que, por muitas vezes, acaba provocando a degradação, uma realidade brasileira”, conclui Ana Kássia. 

Fonte: Agência Cora Coralina de Notícias