Relação entre Pecuária e Sustentabilidade Ambiental

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A sustentabilidade ambiental de forma geral é composta por três pilares: econômico, ambiental e social, visando reduzir os impactos que são causados no meio ambiente pelas atividades de uma organização a curto, médio e longo prazos. 

Já nas atividades pecuárias, a sustentabilidade é voltada para o uso do solo, água, emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE), a preservação da biodiversidade e o bem-estar animal.

O mercado internacional vem cobrando cada vez mais que a criação do gado de corte siga as regras de sustentabilidade para garantir que não sejam produzidas em áreas que sejam frutos de desmatamento, ilegais para produção ou de práticas não sustentáveis.

Hoje em dia a origem da carne bovina é cada vez mais relevante pelo consumidor, é cobrado pelo varejo e setor financeiro rastreabilidade e são feitos investimentos em tecnologias de rastreio pelas indústrias, e os produtores já realizam as medidas necessárias que otimizam a produção de acordo com os padrões internacionais de sustentabilidade para que a fazenda seja certificada.

O setor da pecuária é visto como o causador da desordem ambiental, ou seja, ele é visto como o principal causador da poluição do meio ambiente, excepcionalmente a produção do gado de corte.

O que faz a pecuária ser vista como vilã do meio ambiente?

O histórico e a cultura da pecuária no Brasil

No Brasil até o Plano Real ser criado, no ano de 1994, fazendo com que a queda da inflação derrubasse o preço da terra, onde os produtores que só queriam ganhar dinheiro pararam as atividades e quem continuou investiu em tecnologia, a pecuária era em sua maior parte extensiva, onde o gado era visto vivendo em pastagens degradadas e recebiam poucos cuidados até ser comercializado aos frigoríficos. 

Mas com o passar dos anos, principalmente nos anos 2000 e 2010, foram apresentados avanços importantes pela pecuária, onde a área ocupada por pastagens no Brasil reduziu cerca de 14%, e o rebanho bovino teve um aumento de 51% entre 1990 e 2017, de acordo com informações do IBGE e Embrapa Territorial. Fazendo com que o país fosse colocado entre os principais produtores e exportadores de carne bovina com qualidade, pelo crescimento obtido

Foto: GettyImages

De acordo com Maurício Palma Nogueira (2020) e conforme dados do IBGE, INPE, Conab e Embrapa, “de 1990 até 2019, o aumento da produtividade da pecuária e da agricultura possibilitou que 310 milhões de hectares fossem poupados de desmatamento ou devolvidos de forma voluntária e involuntária para recomposição da vegetação natural”.

A falta de comunicação

Os setores da pecuária e do agronegócio realizam várias iniciativas sustentáveis, mas por não fazerem propaganda elas acabam sendo desconhecidas para quem não está inserido no meio, fazendo com que as práticas criminosas se sobressaiam nas mídias, o que acaba causando a falsa impressão de que toda produção é feita através da destruição do meio-ambiente.

Para acabar com a má fama desses setores, é necessário que eles utilizem a diplomacia e um plano de marketing bem feito para manter a comunicação com a sociedade como um todo, fazendo com que a pecuária sustentável do Brasil seja valorizada.

A emissão de gases GEE

Um dos principais fatores pelo qual a pecuária não é bem vista com relação às práticas de sustentabilidade ambiental é a grande emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) liberados pela produção.

Foi emitido no mundo, em 2019, 49 gigatoneladas de gases de efeito estufa, sendo 2,59% das emissões realizadas pelo Brasil e apenas 0,83% pelas atividades agropecuárias (EMBRAPA, 2019). Embora a nível global não seja um percentual tão expressivo, a nível nacional a atividade, junto com a agricultura, foram responsáveis por 28% das emissões de GEE no país em 2019, de acordo com o Relatório do Observatório do Clima (2020).

Com o intuito de melhorar essa situação é necessário que as práticas de redução e compensação das emissões na produção como um todo sejam realizadas.

Por Marina Dantas