São Paulo se organiza para nova onda de frio, com estimativas de geadas

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De acordo com informes divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia, há fortes indícios de que uma frente fria de alta intensidade avançará para o Brasil, atingindo várias regiões, dentre elas o Estado de São Paulo. O frio começa a partir do dia 28 de julho e deve se prolongar até o final do mês de julho, início de agosto.

As áreas com previsão de que sejam mais afetadas são o sul e o sudoeste do Estado de São Paulo, porém há indícios de que a massa de ar frio se expanda por todo o território paulista e mesmo as regiões mais ao norte e noroeste também poderão sofrer com as baixas temperaturas e prováveis danos à agricultura em geral, como cafezais, pomares de citros e outras frutíferas; cana-de-açúcar; culturas de inverno, como batata e feijão; as olerícolas, em especial, assim como as pastagens. “As olerícolas podem ter perda total, pois são muito sensíveis às geadas, como a que ocorreu no início deste mês de julho. Trata-se de um efeito negativo combinado de frio e seca, que é muito prejudicial às plantas; no caso das pastagens traz consequências muito prejudiciais, não só ao pasto em si, mas na alimentação do gado, que normalmente já precisa ser suplementada neste período de estiagem”, explica o engenheiro agrícola Antoniane Arantes, responsável, na Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS/CATI), pela atualização dos dados do RedeDataClima.b

fonte agricultura.sp

Temperatura mínima absoluta registrada no Estado de São Paulo, entre 18 e 20 de julho de 2021, segunda onda de frio do período.

A RedeDataClima é formada por um grupo de profissionais da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag) e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, entre extensionistas da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS/CATI) e pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas. No site da CDRS/CATI – RedeDataClima são disponibilizados dados, tanto mensais, em forma de boletins, quanto específicos sobre ocorrência de geadas, bem como outros com alterações de 20’ em 20’. Os dados que estão disponíveis para a população em geral, que pode acompanhá-los.

Segundo Antoniane Arantes, muito provavelmente o diferencial dessa massa de ar frio, diferente da ocorrida no início do mês de julho, será a persistência de dias consecutivos com temperaturas mais baixas, na região Sul do País, entre -6°C e -10°C, entre os dias 28 e 30 de julho. “Já na Região Sudeste, as menores temperaturas deverão ocorrer nos dias 29 e 30 de julho, com mínimas de -2ºC e -3ºC na Serra da Mantiqueira, temperaturas negativas também no sudeste paulista, na região de Itapetininga, e máximas abaixo de 15ºC na região metropolitana de São Paulo. A primeira frente fria com ocorrência de geada ocorrida logo no início do mês de julho já deixou muitas perdas, mas esta outra pode causar ainda maiores danos”, alerta Arantes.

Figura 1- Previsões do modelo numérico COSMO 7 x 7km: (a) temperatura mínima do ar (°C) em 2 metros, às 6h do dia 29/07/2021 e (b) temperatura mínima do ar (°C) em 2 metros, às 6h do dia 30/07/2021.

Segundo os técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento que trabalham com extensão rural na CDRS/CATI e, portanto, mais próximos aos produtores, dentre as estratégias para se preparar destacam-se: (1) pulverizações prévias, no mínimo 12 horas à previsão da ocorrência da geada, com calda preparada com açúcar ou melaço de cana, que também podem ser associadas com produtos à base de aminoácidos, ajudando na recuperação mais rápida de plantas lesadas; (2) queima de fogueiras em pontos específicos, como ao redor da produção, associada com a circulação de ar forçada para espalhar o calor; (3) Deixar o terreno limpo – evitando a presença de vegetação nas entrelinhas, de forma a expor o solo à radiação solar e reter mais calor durante o dia, para evitar a fonte de ar frio – também está entre as medidas de prevenção. As mudas podem, ainda, ser cobertas com jornal, sacos plásticos, enfim, em pequenas propriedades é possível fazer algum ajuste, porém, em plantações extensivas, não há muito o que ser feito. Os técnicos também lembram que é preciso reforçar o não uso de medidas não recomendadas, como a queima de pneus, pois, além ser um crime ambiental, provoca efeitos danosos à localidade e à saúde das pessoas.

Segundo a engenheira agrônoma Jucileia Irian dos Santos Wagatsuma, da Casa da Agricultura de Guapiara, da área de atuação da CDRS/CATI Regional Itapeva, existem ainda outras medidas que podem ser adotadas, como a utilização da irrigação por aspersão ou microaspersão, durante as horas mais frias da madrugada, até o nascer do sol. “A água, ao congelar-se, libera seu calor latente para o interior da folha”, explica a técnica. A aplicação de nutrientes como cálcio (Ca), e principalmente potássio (K), via foliar, que tem como objetivo aumentar a concentração de solutos na planta, reduzindo, assim, o ponto de congelamento do citoplasma, evitando a formação de cristais de gelo no interior das células das plantas é outra medida a ser adotada.

No caso de culturas perenes, sensíveis à geada, é importante lembrar as medidas de prevenção às geadas no momento de instalação da cultura. “Escolher áreas da propriedade com menor risco de geada, dando preferência aos terrenos de faces norte e leste, que recebem os raios solares nas primeiras horas do dia; evitar a instalação nos vales e encostas baixas, onde há maior acúmulo da massa de ar frio; quando houver disponibilidade, escolher materiais mais tolerantes, caso de algumas cultivares de citros; e fazer a implantação adequada de quebra-ventos, posicionando-os de forma a permitir a circulação de ar, de maneira a  evitar concentração de ar frio em determinadas áreas do pomar.

Alexandre Grassi, coordenador da CDRS/CATI, ressalta a importância do acompanhamento climatológico para o setor agropecuário, extremamente ligado aos eventos do clima, pontuando ainda as questões de adaptação à possíveis mudanças de padrões climáticos e de mitigação de efeitos de extremos climáticos e seus danos causados, bem como a necessidade de adaptação, com a inserção de novas tecnologias e métodos que visem ao uso eficiente da água e gestão da propriedade conectada às tendências climáticas.

Nas Casas da Agricultura e Regionais da CDRS/CATI, técnicos podem auxiliar o produtor rural a usar recursos para minimizar perdas futuras ou a recuperar a atividade depois de uma ocorrência climatológica desfavorável.

Original de Agricultura SP