Trigo: Cultivo recebe orientações através das previsões climáticas

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Com a previsão de temperaturas acima da média nos próximos meses é preciso atenção no planejamento da semeadura dos cereais de inverno. Saiba mais sobre o prognóstico climático para o inverno que inicia na próxima semana.

O inverno começa no dia 21 de julho e vai até 22 de setembro. No relatório divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia – INMET (15/06/21) é possível verificar a condição de neutralidade para o evento El Niño – Oscilação Sul. Esta condição indica um inverno com chuvas próximas a normal climatológica – entre 100 a 150mm/mês – ou abaixo da média em grande parte da Região Sul nos meses de junho, julho e agosto. “A menor umidade no inverno deverá favorecer o trigo e os outros cereais, com menor incidência de doenças fúngicas ao longo da safra”, explica o Aldemir Pasinato, do laboratório de Meteorologia Aplicada à Agricultura da Embrapa Trigo. Contudo, ele destaca que a menor quantidade de chuvas não deverá prejudicar a fase da implantação das lavouras, que concentram operações de semeadura nos meses de junho e julho, como na estiagem que ocorreu no ano passado: “As chuvas ocorrerão principalmente com a chegada de frentes frias, garantindo a umidade do solo. Mas o prognóstico mostra que não deverá haver chuvas muito acima do padrão normal do clima no inverno, com precipitações que deverão diminuir gradualmente até a primavera”.

O inverno também poderá registrar temperaturas mais elevadas. As previsões indicam que as temperaturas deverão se manter acima da média histórica, tanto nas máximas quanto nas mínimas. Em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, na primeira quinzena de junho, a estação meteorológica da Embrapa Trigo/INMET registrou 2°C acima da média, onde as mínimas, que historicamente ficavam próximas a 9°C, este ano registraram 11°C.

Geada afetou as lavouras na região noroeste do RS em agosto de 2020 – Foto: Marcelo Klein Fonte: Embrapa

O aumento das temperaturas pode acelerar o desenvolvimento das plantas, o que exige planejamento para evitar prejuízos com as geadas: “Mesmo com temperaturas mais altas, ainda deverão ocorrer entradas de massas de ar frio ocasionando a queda acentuada das temperaturas e a formação de geadas, o que pode causar prejuízos nas fases de florescimento e espigamento do trigo”, explica Pasinato.

As recomendações da pesquisa para reduzir os riscos com perdas por geadas são o escalonamento da semeadura e o uso de cultivares de diferentes ciclos de maturação, iniciando a semeadura pelas cultivares de ciclo mais longo, nas partes mais elevadas das encostas e, preferencialmente, com exposição norte, finalizando com cultivares precoces e nas partes mais baixas do terreno. Outro cuidado imprescindível, é seguir o zoneamento agrícola que orienta a melhor época de implantação das lavouras nas diferentes regiões do País.

“As perdas por geada no trigo são passíveis de cobertura pelo seguro agrícola e, certamente, as lavouras que seguirem as indicações do zoneamento agrícola, com escalonamento da semeadura e uso de cultivares de diferentes ciclos, terão menos problemas com adversidades climáticas dessa natureza”, conclui Aldemir Pasinato.

Original de Embrapa