Trigo: Saiba o que tem por trás da plantação dessa cultura de inverno

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Do Oiapoque ao Chuí, o trigo passou a fazer parte da dieta do brasileiro nas últimas décadas. Ele está em pães, massas e bolos, e, em muitos casos, é o protagonista do café da manhã e da tarde. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o consumo brasileiro superou, no último ano, 12 milhões de toneladas. Mas o que está por trás de uma plantação de trigo? Como ele é cultivado? Conversamos com o engenheiro agrônomo e Coordenador Regional de Transformação Digital Murilo Faix para entender melhor o assunto. Confira:  

Cultura de inverno: a produção de trigo no Brasil 

Trigo, cevada, centeio e aveia são exemplos de culturas de inverno, aquelas que, a depender do zoneamento da região, são plantadas entre maio e junho, quando começa estação mais fria do ano. As culturas de inverno são fundamentais para uma boa safra verão e estão diretamente relacionadas ao Sistema de Plantio Direto (SPD). Muito além da cobertura do solo, o trigo tem se tornado mais rentável e, por isso, uma escolha viável para o produtor brasileiro. A produção do país, segundo dados da Embrapa, representa 50% da necessidade do Brasil, que é também um grande importador do cereal. 

Qual é a importância da safra de inverno? 

O engenheiro agrônomo Murilo Faix responde: rotação de culturas! A alternância anual de espécies vegetais dificulta o desenvolvimento de pragas doenças e daninhas. Além disso, o plantio do trigo garante a cobertura do solo durante o inverno e minimiza a sua degradação.  

Faix completa: “é uma rotação rentável para o produtor”. Segundo ele, o trigo vem em uma crescente, refletindo as altas da soja. Portanto, para além de cobrir a terra, favorecendo a rentabilidade na safra verão, ele pode gerar lucro ainda na safra de inverno. O cenário é resultado do avanço da tecnologia em torno dos cultivares de trigo, que nos últimos anos, têm tornado o cereal mais resistente e produtivo.  
 

Melhoramento genético do trigo e novas possibilidades para o país  

Os cultivares de trigo já evoluíram muito. Segundo a Embrapa, há, hoje, no Brasil, cultivares que atendem às principais demandas de produtos da indústria. Ainda assim, há uma série de barreiras para o desenvolvimento da triticultura brasileira, especialmente quando o assunto é o trigo tropical, aquele que é produzido no Brasil Central.  
 
A Embrapa vem desenvolvendo um projeto voltado para a criação de cultivares que aumentem a competitividade do trigo brasileiro, pensados especialmente para aplicações como a panificação, por exemplo. 

Estados produtores de trigo no Brasil  

É mais provável que você encontre vastas plantações de trigo na região sul! Por conta dos fatores climáticos, os principais estados produtores estão o sul e sudeste do Brasil. De acordo com o último Censo Agropecuário, realizado em 2017, a maior parte da produção se encontra em: 

Rio Grande do Sul 2.155.467 toneladas 
Paraná 1.790.995 toneladas 
São Paulo 330.396 toneladas 
Minas Gerais 187.345 toneladas 
Santa Catarina 143.318 toneladas 

Fonte: Embrapa 

O ciclo da plantação de trigo 

Para cultivar esse cereal, é preciso seguir uma série de etapas, visando não só a produtividade, mas também a qualidade do grão, que será determinante para o valor do trigo. “O que não alcança um determinado padrão de qualidade vira produto de menor valor agregado, como ração, perde valor”, explica Murilo Faix. Por isso, o produtor precisa ter olhos na lavoura a cada fase da safra de inverno. Conheça as etapas da produção de trigo: 

Por: Freepik

Fase vegetativa  

A fase vegetativa tem início na semeadura e acaba na iniciação floral. De acordo com o engenheiro agrônomo, no período de emergência, quando as plantas rompem a barreira do solo, é hora de aplicar fertilizantes, para suprir as necessidades de nitrogênio da planta. Segundo o engenheiro agrônomo, essa fertilização será determinante “para a alongação e o crescimento do trigo”. 

Murilo Faix, Especialista em Transformação Digital, chama atenção também para a importância de regular o crescimento do trigo nessa etapa. Um crescimento excessivo do trigo pode ocasionar uma série de problemas 

Por que regular o crescimento do trigo? 

  • O crescimento exagerado pode causar acamamento ou tombamento, aumentando o contato da planta com a umidade do solo e favorecendo doenças 
  • Um crescimento não uniforme nas áreas dificultará o trabalho da colheitadeira 

 Fase reprodutiva 

Na fase reprodutiva do trigo, há a formação das espiguetas, que, futuramente, darão origem à espiga.  

Um alerta para a fase reprodutiva é a geada. Embora o trigo seja tolerante ao frio, esse fenômeno pode ser especialmente prejudicial aos grãos nessa etapa de floração, afetando negativamente a produtividade. 

Enchimento dos grãos 

Depois da floração, é a hora do enchimento dos grãos, a última etapa do desenvolvimento da planta. É quando o grão se desenvolverá, passando de grão leitoso para pastoso, grão duro e, então, grão maduro. A próxima etapa é a senescência, quando a planta senescência foliar, quando será determinado o rendimento dos grãos.  

Pragas e doenças do trigo  

Não tem como garantir a qualidade do cereal sem um olhar atento para os inimigos da lavoura. Nas plantações de trigo, é possível encontrar pragas como:  

  • Corós: são espécies de larvas polífagas de solo, que, ao fim do ciclo, se transformam em besouro. A infestação acontece em manchas na lavoura. 
  • Pulgões: há um conjunto de variedades de pulgões que atacam o trigo no início da cultura, instalando-se no colmo da planta e e sugando sua seiva.  
  • Lagartas desfolhadoras: a lagarta do trigo e a lagarta do cartucho são pragas que atacam as plantações de trigo. Elas causam danos a partir espigamento até a fase da colheita.  
  • Percevejo: conhecida praga da soja, os percevejos também podem trazer muitos prejuízos às lavouras de trigo. Leia sobre a praga aqui.

Entre as doenças que afetam a lavoura de trigo, o engenheiro agrônomo Murilo Faix destaca: 

  • Giberela: causada por um fungo, a doença é comum na região sul do Brasil e atinge as espigas do trigo. Segundo a Embrapa, a epidemia é favorecida por fatores climáticos, como a precipitação. 
  • Bruzone: assim como a giberela, a doença fúngica ocorre em clima úmido e quente e traz danos às espigas.  
  • Ferrugem da folha: a doença deixa pústulas com esporos alaranjados nas folhas, trazendo perdas em produtividades. 

Original de syngenta digital