Vantagens das abelhas nativas são apresentadas na Agrishow

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A Agrishow, uma das maiores feiras agrícolas no mundo, que acontece de 25 a 29 de abril, em Ribeirão Preto, SP, vai contar com um doce atrativo na edição 2022, as abelhas sem ferrão. A Embrapa Meio Ambiente e a A.B.E.L.HA. (Associação Brasileira de Estudos das Abelhas) irão levar essas pequenas notáveis para dentro da maior feira do agronegócio brasileiro.

As abelhas-sem-ferrão pertencem à tribo Meliponina (Hymenoptera, Apidae). São 52 gêneros e centenas de espécies identificadas, com distribuição na América do Sul, Central, Ásia, Ilhas do Pacífico, Austrália, Nova Guiné e África. As abelhas nativas são essenciais para a polinização de algumas culturas usadas na alimentação humana, como tomate, berinjela, café e caju, dentre outras.

Com a polinização, as abelhas sem ferrão também possuem um papel estratégico na reconstituição de florestas tropicais e conservação de remanescentes florestais. É atribuída a esses insetos a responsabilidade pela polinização de 30% das espécies de biomas como a Caatinga e Pantanal e até 90% das espécies da Mata Atlântica. A proteção das Meliponina está diretamente ligada à preservação flora e a fauna silvestres.

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O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Cristiano Menezes explica que os visitantes poderão conhecer as curiosidades desses insetos, sua importância para a agricultura e, ao final da experiência, degustar dois méis diferentes provenientes da Amazônia. A exposição contará com diferentes espécies de abelhas sem ferrão em caixas que permitem observar dentro das colônias e conhecer como a sua sociedade funciona.

Além disso, haverá uma apresentação didática sobre a importância da polinização na produtividade e qualidade dos frutos e sementes gerados pela agricultura. Ao final, os visitantes conhecerão os principais produtos oriundos da meliponicultura e degustarão o mel da Tiúba e da Uruçu-amarela, duas abelhas da região amazônica que produzem méis bem diferentes e contrastantes.

Menezes acrescenta que é muito importante apresentar e divulgar ao público em geral o trabalho que a Embrapa Meio Ambiente e seus parceiros realizam no desenvolvimento de tecnologias para criação e uso sustentável das abelhas sem ferrão. “O objetivo é gerar renda a partir da biodiversidade brasileira de abelhas e aumentar a produtividade dos cultivos dependentes delas para polinização. Em parceria com a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas, divulga conteúdo técnico-científico para o público geral, capacita criadores de abelhas e agricultores e contribui para a conservação dos polinizadores.”

“A integração das abelhas, sejam as silvestres sejam as manejadas pelo homem, ao sistema produtivo, representa um enorme potencial de agricultura sustentável para o Brasil explorar”, explica Ana Assad, diretora executiva da A.B.E.L.H.A.. “Em parceria com a Embrapa na Agrishow, queremos mostrar que o serviço que elas oferecem é um bioinsumo que permite ao agricultor produzir mais sem expandir a área agrícola.”

Meliponicultura: produção de mel e polinização da agricultura brasileira

O mel de abelhas nativas sem ferrão vem conquistando o paladar dos brasileiros, com sabores inusitados, e variações regionais tornam o ingrediente diferenciado. Sua fabricação fortalece os pequenos produtores e está diretamente relacionada à sustentabilidade e à conservação ambiental.

No Brasil existem cerca de 240 espécies de abelhas sem ferrão catalogadas e somos referência mundial nas tecnologias de criação e manejo destes insetos. São abelhas sociais, muitas delas exclusivas do País, geralmente dóceis e podem produzir muito mel.

Para fazer o mel as abelhas colhem o néctar nas flores. É assim, de flor em flor, que elas polinizam as plantas. Ou seja, elas são importantes para as florestas, mas também para o morango, a maçã, o açaí, o café e dezenas de outros cultivos. As abelhas, como outros animais polinizadores, são responsáveis por 1/3 dos alimentos que comemos. Podem ser criadas em grande escala e transportadas para as plantações, onde aumentam a produtividade e a qualidade dos frutos.

Menezes também ressalta que cada mel é único, pois cada espécie de abelha possui sua técnica para armazená-lo em potes feitos com uma mistura de cera e própolis, que com o passar do tempo, os aromas destes “barris vão passando para o mel e modificando seu sabor”.

O sabor diferenciado é conferido pelo tempo de maturação dos méis nesses potes, “construídos com substâncias florais e resinas vegetais, que conferem, semelhante ao processo de maturação das bebidas destiladas, um ‘blend’ único ao mel contido neles, conferindo uma assinatura de sabor único, objeto de atenção até da alta gastronomia”.

Fonte: Embrapa