Veja as características e benefícios do cultivo do Sorgo

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Você sabia que o sorgo é um dos cereais mais produzidos em todo o mundo, estando atrás apenas do trigo, arroz, milho, soja e cevada? Já no Brasil, a plantação de sorgo tem ganhando ainda mais destaque, principalmente no período da safrinha.

Cereal amplamente conhecido por sua utilização na alimentação animal, o sorgo é também uma rica matéria-prima para fabricação de produtos alimentícios para humanos.

Devido a sua janela de semeadura mais extensa, o sorgo se torna uma opção que garante uma receita com grãos na segunda safra.

Sendo assim, para ampliar seu conhecimento acerca desse cereal, te convidamos a conhecer as práticas para a plantação do sorgo, além das características e benefícios da cultura.

Sorgo: cereal para alimentação animal e de humanos

O sorgo (Sorghum bicolor L.) é um cereal que teve origem na África com sua domesticação ocorrendo entre 3 mil e 5 mil anos atrás.

Menos dependente de água, o sorgo tem sua janela de semeadura um pouco mais extensa, gerando receita com grãos na segunda safra.

Plantas de sorgo possuem ainda mecanismos fisiológicos específicos – como dormência e enrolamento de folhas – que possibilitam uma melhor convivência com o estresse hídrico de veranicos, comuns nos meses finais da estação chuvosa.

A plantação de sorgo funciona como base da alimentação em muitas partes do mundo.

Na América do Sul, nos Estados Unidos e na Austrália, por exemplo, este cereal é utilizado basicamente para a fabricação de rações na alimentação animal.

Já em regiões da América Central, na Ásia e na África, seus grãos são usados também para a alimentação humana para produção de farinha e de amido industrial, utilizados principalmente na fabricação de pães e biscoitos.

A plantação de sorgo no Brasil ganha um espaço importante na safrinha

O Brasil é o 9º maior produtor de sorgo do mundo, com a plantação de sorgo ganhando bastante espaço na safrinha.

Na safra 2020/21, por exemplo, estima uma produção de 2,5 milhões de toneladas, 4% superior em relação à safra passada.

Mesmo com área menor, a plantação de sorgo no período adquire uma produtividade maior, passando de 2.991 kg/ha para 3.111 kg/ha.

No país, o maior produtor é o estado de Goiás, com 1,2 milhão de toneladas. Outros 12 estados também plantam sorgo com certa representatividade.

Como já citado, a plantação de sorgo vem ganhando cada vez mais espaço na safrinha, especialmente quando a janela do milho fica apertada.

Seu cultivo ocorre normalmente após a colheita da soja, sendo o início da janela de plantio a partir do final de fevereiro e março, com colheita sendo realizada em junho ou julho.

O sorgo possui atrativos importantes que contribuem para seu cultivo no período da safrinha.

Em um primeiro momento observamos que a cultura é totalmente mecanizada, proporcionando por isso boa liquidez e retorno financeiro significativo, com a saca sendo vendida, em média, por R$ 65, o dobro de 2020.

Em relação às doenças, o sorgo apresenta menor incidência de micotoxinas nos grãos e baixo fator de reprodução de nematoides.

Além disso, por apresentar mecanismos fisiológicos interessantes, a plantação de sorgo exige pouca umidade, com suas plantas resistindo a maiores períodos de seca.

Fonte: EMBRAPA

Classificação do sorgo: 5 grupos agronômicos

Agronomicamente a cultura de sorgo é classificada em 5 grupos:

  • Granífero
  • Sacarino
  • Forrageiro
  • Vassoura
  • Biomassa

O sorgo granífero, que apresenta maior expressão econômica, inclui variações de porte baixo adaptados à colheita mecânica.

O sorgo sacarino inclui tipos de porte alto apropriados para confecção de silagem e/ou como alternativa para produção de açúcar e álcool.

O sorgo forrageiro, por sua vez, é utilizado principalmente para pastejo, complemento alimentar para gado, fenação, além de cobertura morta.

A plantação de sorgo do tipo vassoura, como o próprio nome diz, é cultivada para confecção de vassouras.

Por fim, o grupo de biomassa destina-se à produção de energia, com poder calorífico similar ao da cana, do eucalipto e do capim elefante.

O ciclo de vida normal do sorgo varia de 90 a 120 dias, mas, assim como sua época de plantio, esse ciclo dependerá da cultivar e do local onde ocorrerá a plantação de sorgo.

No norte do Mato Grosso, por exemplo, o sorgo granífero pode ser plantado de outubro a março, sendo geralmente plantado quando o milho deixa de ser vantajoso economicamente, com sua semeadura ocorrendo após a colheita da soja.

O forrageiro pode ser plantado na época das chuvas, e o sorgo sacarino, de outubro a março, assim como o sorgo biomassa.

Características exigidas para a plantação de sorgo

A plantação de sorgo costuma apresentar bastante resistência a altas temperaturas, se desenvolvendo, inclusive, em condições consideradas desfavoráveis para o cultivo de outros cereais.

Isso acontece porque o sorgo possui um sistema radicular profundo e ramificado, elevando a eficiência na extração de água da solução de solo, fazendo com que a cultura seja tolerante à seca.

O sorgo também tem capacidade de se adaptar a temperaturas mais amenas, desde que ocorra na região uma estação quente para propiciar seu desenvolvimento.

A temperatura ideal é variável de acordo com cada cultivar, mas, de forma geral a planta se desenvolve bem com no máximo 38°C e,no mínimo 16°C.

A cultura é também capaz de se adaptar a variados solos, desde argilosos até arenosos. No entanto, a recomendação é que a plantação de sorgo não ocorra em solos com drenagem não satisfatória.

Semeadura do sorgo: A gestão integrada merece total atenção

O plantio, o cultivo e a colheita do sorgo ocorrem por meio de maquinários inerentes à cultura de soja, arroz, trigo, ou outros grãos.

Mas, quando falamos especificamente da semeadura, ela deverá ser feita pelo processo convencional, com o solo arado, gradeado, desterroado e nivelado, ou direto na palha, com a deposição de fertilizante e semente.

Mas, além disso, a plantação de sorgo exige que alguns aspectos sejam melhor gerenciados, tais como:

  • Expectativa de produção;
  • Diagnose adequada dos problemas (para isso é exigida a análise do solo e histórico de calagem e adubação das glebas);
  • Quais são os fatores agronômicos recomendados, como espaçamento, densidade de plantas, híbridos, disponibilidade de água, etc;
  • Quais são os maquinários necessários e quais devem ser as regulagens deles;
  • Qual será o método de semeadura: convencional e direto na palha (PD).

Mas, tão importante quanto essas preocupações para uma melhor plantação de sorgo é a capacidade de o produtor conseguir gerenciar todo o processo de uma forma mais assertiva e integrada para identificar pontos que merecem mais atenção.

Para isso, investir em um software específico para fazendas e que permita uma gestão agrícola integrada é imprescindível.

Original de CHBAGRO